segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Adilton Pugliese (Salvador, BA) Centro Espírita “Caminho da Redenção” 65 anos 7 de setembro de 1947 – 7 de setembro de 2012. Salvador, BA



As raízes e os pilotis do Centro Espírita Caminho da Redenção, fundado em 07 de setembro de 1947, em Salvador, Bahia, pelo médium Divaldo Pereira Franco e o seu atual presidente, Nilson de Souza Pereira estão, certamente, na extraordinária perspectiva visionária do Codificador do Espiritismo, ao criar, em Paris, em 01 de abril de 1858, a Societé Parisienne des Études Spirites - Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas/SPEE - ou Sociedade Espírita de Paris, como ele simplificava, frequentemente, em seus discursos e em seus escritos.

Ao instalar a SPEE (primeira Instituição Espírita do Mundo) e redigir os seus estatutos, inseridos, posteriormente, em 1861, em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec estabeleceria os parâmetros básicos para o florescimento, no futuro, de novas Sociedades Espíritas.

Podemos observar no apostolado do médium Divaldo Franco, conexões profundas com o plano de trabalho executado por Kardec e que está delineado no texto Projeto 1868, no livroObras Póstumas, onde se destaca a seguinte advertência do Mestre: “Dois elementos não devem ser desconsiderados para o progresso do Espiritismo: o estabelecimento teórico da Doutrina e os meios de a popularizar”.  (grifamos). Nesse Projeto, o Codificador apresenta os quatro pilares para execução do seu plano estratégico de trabalho.

Em setembro de 1947, Divaldo, então com 20 anos de idade, em pleno alvorecer de sua vigorosa mediunidade e desenvolvendo promissora dinâmica doutrinária, já houvera mantido contato com a substância teórica da Doutrina, lido e estudado, a partir de O Livro dos Espíritos, as obras básicas da Codificação, nelas encontrando o roteiro seguro para o seu mediunato. Oportunamente, ele declararia: “antes, eu era um médium no Espiritismo; depois de orientado passei a ser um espírita na mediunidade”. Seguindo o planejamento de sua mentora, Joanna de Ângelis, traceja suas metas táticas de trabalho, que utilizaria como meios de popularizar o Espiritismo e também da prática da caridade, em suas vertentes socioassistencial e educacional. São, igualmente, quatro pilares que dinamizariam a missão do médium:

1º - A fundação do Centro Espírita Caminho da Redenção, em 07.09.1947 e da “Mansão do      Caminho”, seu departamento de Assistência Social, em 15.08.1952;
2º -  A produção literária-mediúnica, iniciada em 05.05.1964, com o livro Messe de Amor, hoje representando um acervo de várias obras, com mais de dez milhões de exemplares e cerca de  220 autores e missivistas espirituais, em vários gêneros literários, como poesia, conto, romance, dissertação, narração, crônica,  e temas filosóficos, psicológicos, psiquiátricos, infantis, etc. Diversos  títulos foram  traduzidos para os idiomas albanês, alemão, holandês, inglês, Italiano, sueco, tcheco, espanhol, catalão, esperanto, francês, turco e, também para o sistema braile;
3º  - As viagens de divulgação doutrinária no exterior, a partir de 1950;
4º - A fundação da revista Presença Espírita, em 20.02.1974, constituindo-se em importante meio de divulgação doutrinária, no contexto da Imprensa Espírita Brasileira, criada pelo baiano Luis Olímpio Teles de Menezes em julho de 1869.

No ensejo do 65º aniversário de fundação do CENTRO ESPÍRITA CAMINHO DA REDENÇÃO, na mesma data em que o Brasil comemora 190 anos de independência, reverenciamos essa obra extraordinária, autêntico modelo da “verdadeira Instituição Espírita”, que possui aquele laço forteprevisto pelo Codificador, tornando-a não só viável, mas também indissolúvel.

Instalado inicialmente no bairro da Calçada, na Cidade Baixa de Salvador, teve suas instalações transferidas para o bairro de Pau da Lima, onde já se encontrava em funcionamento o seu Departamento Social “Mansão do Caminho”, o qual, recentemente, em 15 de agosto de 2012, foi alvo de efusivas comemorações pela passagem dos seus 60 anos de fundação.
A sua estrutura organizacional está configurada em departamentos e respectivos Setores e atividades.
Tudo é realizado num excelente ambiente de fraternidade, mas, sobretudo, de cônscia responsabilidade. Nota-se sempre um apelo, uma intuição à ordem, à disciplina, à organização, à qualidade na execução das tarefas, e autêntica fidelidade a Jesus, a Kardec e às orientações sempre consistentes e afetuosas da Veneranda Benfeitora Joanna de Ângelis.

Desde os primórdios de sua criação, a Instituição tem sido fiel à tríade que Allan Kardec estabeleceu, “como normativa de dignificação do movimento espírita”, e que praticou durante todo o tempo em que dirigiu a SPEE: Trabalho, Solidariedade e Tolerância.

Essas diretrizes foram fortalecidas pelo Espírito Joanna de Ângelis e destacadas em palestra proferida por Divaldo Franco, em 1998. A Mentora estabeleceu para o Centro Espírita “um triângulo equilátero de responsabilidades”. No vértice superior ela colocou o verbo Espiritizar: “tornar realmente espírita a pessoa que moureja na Instituição, para que saia da postura de adepto e passe para a de militante. Essa conscientização da Espiritização a pessoa vai adquirir por intermédio do estudo, da reflexão, das atividades doutrinárias”.
A segunda proposta é a Qualificação. Seria o vértice da esquerda: “adotar a qualidade de uma pessoa de consciência”. “Deveremos qualificar-nos, esforçar-nos para poder adquirir a consciência espírita e procurar melhorar as qualidades morais, sociais, familiares e as de trabalhador da Casa Espírita”.
 Finalmente, o vértice da direita é a Humanização: é indispensável “o sentimento de humanidade, que é a caridade iluminando o humanitarismo e o humanismo”.
 Finalmente, conclui: “para que haja harmonia é necessário que a Espiritização seja qualificada e humanizada”.

Todo esse trabalho, hoje reconhecido nacional e internacionalmente, é fruto da coragem e da persistência de um grupo de abnegados, sob a firme liderança de Divaldo Pereira Franco e Nilson de Souza Pereira, dois inseparáveis companheiros que resolveram levar adiante um sonho, desde quando, ainda na adolescência, Divaldo teve uma visão mediúnica do que seria a obra que eles fundaram e que dirigem há 65 anos com extremado amor e dedicação. Parabéns!

Divaldo Pereira Franco proferindo palestra no ano de 1957
Divaldo Pereira Franco e Nilson de Souza Pereira em atividades doutrinárias. Bonn, Alemanha, maio de 2011 Foto Jorge Moehlecke




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