16 de março de 2017
Em noite agradável, Divaldo Franco se apresentou em Ponta Grossa para mais uma brilhante conferência, como vem fazendo ininterruptamente desde o ano de 1954 quando esteve pela primeira vez nos campos gerais. O Salão Social Arthur João de Maria Ribeiro, do Clube Princesa dos Campos – Clube Verde -, foi palco para mais uma grande confraternização dos espíritas paranaenses. Antes do evento o Sistema Brasileiro de Televisão – SBT- Ponta Grossa – realizou entrevistas com a escritora Suely Caldas Schubert, de Minas Gerais; Lúcia Moehlecke Flores, da Equipe do Livro Divaldo Franco, do Rio Grande do Sul; Demétrio Ataíde Lisboa, Presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção/Mansão do Caminho; Jorge Godinho Barreto Nery, Presidente da Federação Espírita Brasileira, entre outras personagens; e Divaldo Pereira Franco que falou sobre o começo de sua mediunidade, o seu desejo de continuar na obra do bem, a transição planetária e o intercâmbio entre os mundos habitados, e a felicidade – a paz na intimidade do indivíduo.
Após bela interpretação musical ao som do clarinete, compuseram a mesa diretiva Luís Maurício Resende, Conselheiro da Federação Espírita do Paraná – FEP; Adriano Lino Greca, Presidente da FEP; Jorge Godinho Barreto Nery, Presidente da FEB; Edson Luiz Wacholz, Presidente da União Regional Espírita – 2ª Região; e Divaldo Pereira Franco. Presentes, também, outras autoridades do Movimento Espírita do Paraná e do Brasil. Comemorando antecipadamente os setenta anos de oratória – 27 de março de 1947 -, e nonagésimo aniversário de Divaldo Franco foi-lhe ofertada uma placa de agradecimento em nome da URE-2ª Região.
Iniciando a conferência para mais de dois mil presentes, em dois ambientes, Divaldo Franco discorreu sobre o conhecimento humano, desde a micropartícula ao macrocosmo, uma conquista notável, bem como a realização do pensamento humano. Estas conquistas, aliando a tecnologia e a ciência, prolongam a vida do homem sobre a Terra. As comunicações, pessoais e institucionais, se constituem em um avanço notável. Por outro lado, a humanidade experimenta, ainda, os flagelos das guerras, da violência de toda ordem, a miséria material e moral. A paz ainda se encontra distante dos corações e das mentes do homem moderno, carente de transformação moral, apesar de todos os avanços modernos.
Esquecendo-se de si para viver o mundo exterior, o homem deixou de viajar para dentro de si mesmo, descobrindo-se como um ser capaz de amar, possuidor de um sentido moral e psicológico para a vida, dando um significado ético, autoconhecendo-se e identificando a sua condição de ser psicológico.
Em faltando um significado para a vida, o homem está enveredando pelo caminho da depressão. Estima-se que haja 360 milhões de depressivos crônicos, e que em 2025 a depressão será a primeira causa de mortes através do suicídio, por absoluta falta de um sentido psicológico para a vida.
Rollo May, (1909 —1994) afirmava que a sociedade humana havia elegido como parâmetros para a felicidade o individualismo, o sexismo e o consumismo. Todos são caminhos de fuga para a realidade existencial. O homem moderno, cibernético está coisificando-se. Já não conversa mais, não dialoga, somente discute. Isolou-se, e a solidão instalada o consome.
O que fazer? Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, escreveu em três dias e noites, freneticamente, o livro Resposta à Job, personagem mitológica da Bíblia, onde apresenta uma definição a respeito da consciência, destacando que o verdadeiro momento de consciência é quando o Ego toma conhecimento do SELF, do EU profundo. A busca pelo autoconhecimento levará o homem a construir-se mais equilibrado, responsável, amoroso. A família é o laboratório ideal. Voltar à família, construindo o genuíno lar é tarefa que todos devem realizar.
Emilio Mira y Lopez, (1896-1964), sociólogo, médico psiquiatra, psicólogo e professor, estabeleceu os gigantes devoradores da vida humana: rotina, ansiedade, medo e amor. São elementos presentes na vida de grande parte da humanidade, e que comprometem o equilíbrio integral - físico, psicológico e espiritual -, impedindo os indivíduos de alcançarem o estado de paz e felicidade. A falta de metas psicológicas profundas, de motivação, vivendo-se para o atendimento aos instintos básicos - comer, repousar e procriar -, em permanente estado de ansiedade, sem confiança em si mesmo e na providência divina, sem controle dos medos e de da libido, compõem o quadro ideal para as perturbações íntimas.
Joanna de Ângelis, Mentora Espiritual, estimula os indivíduos a realização de esforços para transformar esses gigantes perniciosos da alma. Em vez da rotina, ter uma vida dinâmica, variando as atividades, experimentando novas oportunidades; em vez de sucumbir aos medos, enfrentá-los, com o uso da audácia, da coragem; a ansiedade deve ser substituída pela confiança em si mesmo, na perfeita justiça e misericórdia divinas, que tudo provê, vivendo cada momento tendo a consciência do que está fazendo ou vivendo; a solidão deve ser substituída pela solidariedade – o solidário não é solitário -; e, por fim, educar a libido, para poder viver o amor mais puro, livre de conflitos e desequilíbrios perturbadores. É o amor vivido e exemplificado por Jesus de volta aos corações humanos, a Sua proposta é psicoterapêutica.
O amor é seiva de vida para se alcançar a felicidade. Deve-se compreender que a vida de cada um depende de outrem, constituindo a grande família universal. Não se resignar com o mal que grassa no seio da humanidade. É necessário quebrar essa rotina. A Mentora Joanna de Ângelis orienta para que os homens possam descobrir os invisíveis da sociedade humana, isto é, os desafortunados, os miseráveis, tanto material quanto moralmente. O amor deve ser dirigido, ofertado indistintamente, tanto para os amigos, como para os inimigos.
As condecorações dos cristãos verdadeiros são as cicatrizes do sofrimento, oriundas do burilamento a si mesmo, aparando as arestas agressivas. É necessário ser feliz, mesmo carregando as dificuldades, servindo sempre, principalmente aos familiares. O Espiritismo é o novo sermão do monte, construindo uma sociedade digna. É a doutrina que leva o homem a crer racionalmente. É a ciência e a religião unidas em prol da humanidade.
Quando o indivíduo perdoa, desalgema-se e trabalha em favor da humanidade, agasalhando pensamentos voltados para as virtudes, afastando-se dos pensamentos pessimistas e fomentadores do mal. Amar é tornar-se feliz. Assim foi encerrada a magnífica conferência em Ponta Grossa sob fortíssimos aplausos após a apresentação do poema Meu Deus e Meu Senhor.
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke





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