domingo, 18 de novembro de 2018

Divaldo Franco em Araraquara, SP 16-11-2018.

Fotos: Edgar Patrocínio
       Texto: Djair de Souza Ribeiro

A União Intermunicipal das Sociedades Espíritas (USE) de Araraquara escolheu as dependências do Salão Nosso Ninho para receber um público superior a 1.000 pessoas que ali se reuniram para ouvir a Conferência Espírita realizada por Divaldo Franco na noite do dia 16 de novembro de 2.018.
Divaldo inicia sua abordagem utilizando-se da narrativa de um fato envolvendo a violinista norte América Elizabeth Gladicht ainda criança e Madame Ernestine Schumann-Heink (1861-1936) uma das mulheres mais famosas e mais amadas do mundo no início dos anos 1900, tendo sido considerada o maior contralto de sua época e, talvez, de todos os tempos.
Elizabeth decidira-se por abandonar a arte musical após o fracasso na apresentação em um concerto para crianças e por essa razão sentia-se muito triste. Dando-se conta da tristeza da menina diante do fracasso, Madame Ernestine convidou-a para uma volta pelo pomar do imenso jardim do hotel que as hospedava.

Sentadas sob uma árvore veneranda passaram a ouvir o cantar de uma Calhandra (também conhecida por Cotovia e em alguns países confundido com o Rouxinol).
Madame Ernestine contou à jovem Elizabeth a Lenda da Calhandra criada por Deus para encantar aqueles que estivessem cansados e aflitos pelas vicissitudes da existência, buscando a pequena e frágil ave – com seu canto maravilhoso – suavizar o fardo da vida como um alado Cireneu.

Ainda sob os encantos da suave melodia da pequena Calhandra, Madame Ernestine concluiu a lição inesquecível: — Somos, todos nós, Calhandras enviados por Deus para mutuamente nos ampararmos. Vá e faça a tua parte.
Sob qualquer conjuntura aflitiva, quando as coisas se apresentem negativas ou infelizes, não deixemos de fazer aquilo que nos cabe fazer, pois, certamente, Deus fará a parte que a Ele cabe.

Frequentemente, quando nos deparamos com os desafios da vida, que surgem na forma de problemas excruciantes, logo nos deixamos envolver pelos pensamentos pessimistas, inclinando-nos à desistência da luta ou à revolta.
Diante desse quadro Deus enviou-nos a “Calhandra” da Doutrina Espírita que vem nos dizer da imortalidade do Espírito que segue, após a morte do corpo físico, exatamente o mesmo conservando – intacto – nossos sentimentos, emoções, valores morais e os conhecimentos adquiridos.
Viajaremos para o Mundo Espiritual não com as nossas intenções, mas com aquilo que efetivamente realizamos.
Assim sedo, compelidos à tarefa edificante, façamos a nossa parte. Diante de doenças a castigar e depauperar a saúde e a vitalidade de nosso corpo físico façamos a nossa parte.
Mesmo diante dos ataques das incompreensões e das ingratidões sigamos com a nossa luta, à semelhança da Calhandra de Deus.

Ao encerrar a palestra Divaldo Franco presta uma bela, conquanto singela, homenagem ao filho da terra Wallace Leal Valentin Rodrigues (1924-1988) que, qual uma Calhandra, dedicou-se a minorar o infortúnio de tantos quanto lhe cruzaram o caminho e proporcionar um pouco de conforto material e consolo moral.

Divaldo deixa-nos o convite para nos tornarmos Calhandras saindo dos limites estreitos do círculo religioso “teórico” para a ação em benefício de todas as criaturas, único recurso ao nosso alcance para evidenciar a excelência dos princípios Espíritas quando colocados a serviço do próximo.
Nós, que nos dias atuais, nos consideramos os seguidores de Jesus e de Sua mensagem rediviva e luarizada pela Doutrina dos Espíritos, não temos outra escolha, senão aquela de edificar o bem em toda a parte, vivendo conforme os princípios ético-morais do dever, da fraternidade, da tolerância, da compaixão, do perdão e da caridade.

Divaldo Franco em Catanduva, SP 15-11-2018.

Uma vez mais, o Clube de Tênis Catanduva foi o local escolhido pelo Núcleo Educacional Joanna de Ângelis para acomodar cerca de 1.500 pessoas que ali compareceram para participarem da conferência de Divaldo Franco na noite de 15 de novembro de 2018 em comemoração aos 25 anos daquela entidade educacional.
Alicerçando o desenvolvimento de sua abordagem em torno da importância da Educação, Divaldo nos leva a uma viagem no tempo em quase 5.000 anos para Teotihuacan – Cidade dos Deuses – próximo à Capital do México. De maneira poética Divaldo utiliza-se da figura de um antigo Xamã do Povo Tolteca (Os Toltecas viveram há muitos milhares de anos e habitavam as regiões onde hoje se situa o México e em algumas áreas do atual Panamá).
Os Xamãs Toltecas elaboraram um método educacional permitindo ao povo assumir uma nova postura na vida mediante o desenvolvimento de um comportamento onde as pessoas deveriam assumir quatro compromissos em todas as atitudes na vida para consigo, com o próximo e para com a Força Geradora. 1
E Divaldo enumera esses compromissos:
1. SEJA IMPECÁVEL COM A SUA PALAVRA: A impecabilidade da palavra é o de dizer sempre a verdade. Sendo o primeiro compromisso entende-se ser o de maior importância uma vez que a palavra é o mais poderoso instrumento que possuímos, e tanto pode ser usado para nos escravizar ou expressando nosso poder criativo.
2- NUNCA TOME PARA SI AQUILO QUE É DIRIGIDO PARA OS OUTROS - NÃO LEVE, NUNCA, A MÁGOA DENTRO DO SEU CORAÇÃO. : Não levar em consideração os comentários e ofensas a nós dirigidas sem uma criteriosa análise e, principalmente, não levar nada para o campo pessoal, não permitindo, assim, que a mágoa e o ressentimento façam morada em nosso íntimo, que se tornam tóxicos corrosivos a dilapidar nossa saúde.
3- NÃO TIRE CONCLUSÕES SOBRE NADA: O conhecimento não tem ponto final, ele prossegue, razão pela qual devemos estar sempre aberto a revisões e alterações dos nossos conceitos. Temos o hábito de tirar conclusões sobre tudo que nos chega à percepção. A conclusão equivocada passa a ser considerada como “verdade” e, então petrificamos nossa opinião de que aquilo que pensamos é verdadeiro e tiramos conclusões sobre o que os demais fazem.
4- QUANDO VOCÊ FIZER ALGO, FAÇA-O MUITO BEM, DANDO SEMPRE O MELHOR DE SI: Este compromisso deve ser incorporado na mente e no seu comportamento. Dê sempre o melhor de si em tudo o que você faz. Em qualquer circunstância devemos fazer o melhor possível e sem esperar qualquer recompensa, posto que temos o hábito de esperar o reconhecimento pelas nossas ações e quando este não nos chega no prazo que ansiamos, nosso ímpeto e dedicação vai diminuindo de intensidade, portanto, não aguarde recompensa por agir corretamente. Simplesmente faça o seu melhor e assim a sua satisfação interior será a sua maior recompensa.
Efetuado esse introito, Divaldo segue agora um paralelo entre esses compromissos e a jornada de iluminação interior da criatura, a qual demanda um grande percurso, a ser vencido com sacrifício e vontade bem direcionada, somente possível com uma base moral conquistada pela educação formando valores éticos e capaz de enfrentar todos os desafios dessa longa viagem.
Partindo da citação de Pitágoras - Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos – Divaldo faz uma completa, conquanto breve, digressão na evolução da Educação indo desde os santuários esotéricos da antiga Índia – as Gurdwara - passando pelas doutrinárias iniciáticas do Egito antigo. Divaldo segue a excursão pela história da Educação humana passando por Creta, Atenas e as figuras de Sócrates, Platão e Aristóteles. Avançando um pouco mais Divaldo menciona o Imperador Adriano que teve a iniciativa de criar escolas com caráter social e público adotando os métodos pedagógicos dos filósofos gregos, notadamente de Sócrates para quem Educar (do Latim educere) quer dizer eduzir, ou seja, extrair ou conduzir para fora. Educar não é impor. É desenvolver o que já existe no educando.
A educação consiste em desenvolver valores morais e que resultam na mudança de comportamento frente a alguma instrução ou informação adquirida.
Não é a instrução simplesmente uma vez que Instruir consiste em ensinar e transmitir conhecimentos e ou saberes práticos a alguém. A instrução se refere à formação intelectual.
Por fim, Divaldo chega aos luminares dos métodos educacionais que vai de Jean Jacques Rousseau e culmina com Johann Heinrich Pestalozzi que norteia sua metodologia pelo seguinte pensamento: O amor é o eterno fundamento da educação. Chega-se, por fim a Maria Montessori que enfatiza a base da lídima educação: “A primeira ideia que uma criança precisa ter é a da diferença entre o bem e o mal. A principal função do educador é cuidar para que ela não confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade”.
 Divaldo passa a destacar o Prof. Hippolyte-Leon Denizard Rivail discípulo educacional de Pestalozzi e a Doutrina Espírita que muito mais do que falar exclusivamente da imortalidade da alma. O Espiritismo não deve abandonar a educação moral e ética – “Não a educação intelectual, mas a educação moral, mas a que consiste na arte de formar o caráter, que dá os hábitos: porque educação é o conjunto dos hábitos adquiridos”.
Respondendo a Kardec, os Espíritos Sublimes da Humanidade ensinaram: “Uma sociedade depravada certamente precisa de leis severas. Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de feito, do que a lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas.” (Questão 796 de O Livro dos Espíritos).
Reforçando – ainda mais – a importância do desenvolvimento moral Divaldo cita o ensinamento dos Espíritos Superiores: “Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas más inclinações”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.17, Sede Perfeitos, Os Bons Espíritas).
Assim, a educação moral se apresenta como sendo a solução para os problemas que vive a Sociedade, e, portanto, devendo ser tratada como prioridade máxima.
Para emoldurar os conceitos em torno da Caridade, fora da qual não há salvação, Divaldo passa a narrar a comovente história de Conceição e Lia por ocasião de um, entre muitos encontros com Chico Xavier. 2
É a narrativa de avó e neta marcadas pela expiação acerba, mas libertadora porque vivida com resignação, e que culmina com o resgate de crimes que ambas praticaram por ocasião do reinado de Filipe II da Espanha de 1.556 até 1.598.
A emoção a todos dominava. A importância da aquisição e vivência dos valores morais conforme preconizado por Jesus e luarizados pela Doutrina Espírita tocou a todos, pois foi possível conscientizar-se com, com muita facilidade, observando o panorama humano, a existência de um desequilíbrio muito grande entre educação formal e educação moral, conforme nos ensinam os Espíritos Tutelares da Humanidade:

“De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de desenraizar-se porque deriva da influência da matéria. O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida matéria”.
“... Contudo, ela só se obterá se o mal for atacado em sua raiz, isto é, pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral”. Questão 917 de O Livro dos Espíritos (Qual o meio de destruir-se o egoísmo?).

1 Esse método educacional da civilização Tolteca pode ser encontrado em o livro Os Quatro Compromissos do autor americano-mexicano tolteca Miguel Ruiz da Editora Best Seller.
2 Essa narrativa, foi publicada em a revista O Reformador – Ano 123 — Nº 2114-A — Maio 2005. Anexo III, pág. 33 em artigo assinado por Divaldo Pereira Franco. Transcrição do texto desse artigo está sendo disponibilizado no formato PDF como anexo (e-mail).

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Divaldo Pereira Franco em São José do Rio Preto, SP

14-11-2018.

Fotos: Edgar Patrocínio
Texto: Djair de Souza Ribeiro
Sob a organização da União das Entidades Espiritas (USE) Intermunicipal de São José do Rio Preto cerca de 2.200 pessoas reuniram-se no Ginásio Poliesportivo do Hospital Bezerra de Menezes, da cidade de São José do Rio Preto – SP para ouvir o tribuno Divaldo Pereira Franco iluminar o público presente através da Conferência Espírita realizada na noite de 14 de novembro de 2.018.
Divaldo inicia a conferência recuando à primavera de 1792 levando-nos a todos ao edifício de La Salpêtriere, construído originalmente para ser uma fábrica de pólvora, servia agora de prisão – na realidade era mais um depósito de tudo quanto “incomodava” a sociedade - para prostitutas e manter afastados da coletividade social os doentes mentais, os criminosos insanos e epilépticos.
Naquela manhã adentrava-se a La Salpêtriere o médico Philippe Pinel (1745-1826) notabilizado por ser o precursor do revolucionário pensamento de que os portadores transtornos mentais eram doentes e, nessa condição, deveriam receber o mesmo tratamento respeitoso dispensado aos doentes “normais”em geral, abandonando a violência e agressividade como usualmente se empregava. Tomado de inusitada coragem e determinação, libertou daquela masmorra medieval um total de cinquenta e três doentes mentais.
Anos mais tarde surge na mesma La Salpêtriere aquele que se transformaria no mais renomado cientista dos problemas cerebrais Jean-Martin Charcot (1825 - 1893), médico, psiquiatra, neurologista e fundador da moderna neurologia, tendo concluído em suas investigações, ser a hipnose um procedimento apropriado no tratamento de perturbações psíquicas, em especial a histeria.
Entre os inúmeros alunos destacaram-se: Sigmund Freud, Joseph Babinski, Alfred Binet e Pierre Janet.
Todavia, por esta época esses renomados cientistas consideravam a Mediunidade como sendo um distúrbio mental.
Pierre-Marie-Félix Janet (1859-1947) psicólogo, psiquiatra e neurologista francês com importantes contribuições para o estudo moderno das desordens mentais e emocionais envolvendo ansiedade, fobias e outros comportamentos anormais foi o mais destacado entre todos que dirigiram seus ataques contra a Doutrina Espírita, buscando atingir a mediunidade e, por conseguinte, invalidar todo o alicerce dos princípios da doutrina libertadora, uma vez que todo o conteúdo doutrinário nos chegou através da mediunidade.
Em 1.889, Pierre Janet, publicou o livro L'automatisme psychologique: Essai de psychologie expérimentale sur les formes inférieures de l'activité humaine. (O Automatismo Psicológico - Ensaio de Psicologia Experimental sobre as Formas Inferiores da Atividade Humana)
O livro, em sua segunda parte, consagra inteiramente o Capítulo 3 para apresentar os resultados dos estudos dos diversos fenômenos espíritas (mediúnicos) chegando mesmo a elaborar capítulos sobre o Espiritismo (Resumo Histórico do Espiritismo e Hipóteses Relativas ao Espiritismo).
São, porém, nos capítulos finais que Pierre Janet busca ferir de morte a mediunidade afirmando que o fenômeno mediúnico é uma desagregação psicológica e que se explica como sendo uma dualidade cerebral (aquilo que sou versus aquilo que sonho ser).
A conclusão do eminente cientista é um golpe terrível para os médiuns e para a mediunidade: “Os fenômenos ditos mediúnicos eram, na verdade, manifestações patológicas, doentias e se equiparavam aos distúrbios psiquiátricos como a esquizofrenia, a histeria e a epilepsia”.
Com a chancela da ciência, os médiuns passaram a ser tidos como possuidores de alienação mental.
Um rótulo amargo e terrível estava sendo colocado nos médiuns: A mediunidade é sinônimo de loucura.
O mais agravante é que Pierre Janet jamais houvera pesquisado e efetuado experiências com médiuns ou mesmo assistido a uma seção mediúnica. Seus estudos e conclusões basearam-se em trabalhos divulgados por outros pesquisadores.
Em 1934 o Dr. von Meduna constatou que os cérebros dos portadores de Esquizofrenia eram diferentes dos daqueles portadores de Epilepsia. Dessa forma, se pudessem ser provocadas convulsões, essas deveriam por um ponto final nos sintomas principais da esquizofrenia.
Em 1937 o neurologista italiano Ugo Cerletti (1877-1963) apresenta a terapia dos choques elétricos controlados objetivando produzir o mesmo mecanismo das convulsões para atenuar os sintomas da esquizofrenia.
Com o avanço da química medicamentosa surgem na década de 60 do Séc. XX as primeiras drogas (barbitúricos) no tratamento de um amplo leque de transtornos mentais.
Após essa verdadeira história da evolução dos tratamentos psiquiátricos, Divaldo passa a abordar a Mediunidade e as inverídicas acusações que ela recebe de pessoas pobremente informadas ou ainda daquelas refratárias às verdades libertadoras.
Para melhor emoldurar o tema Divaldo Franco relata um fato ocorrido em 1982 por ocasião de uma das muitas visitas que Divaldo fez a Francisco Cândido Xavier, em Uberaba – MG.
Nesta oportunidade, Chico Xavier informou Divaldo de que sua mãezinha, a Sra. Anna Alves Franco – encontrava-se presente.
Os dois médiuns seguiram para um recinto, no qual ambos concentraram-se para o transe mediúnico. Divaldo psicografou mensagem do Dr. Bezerra de Menezes destinada ao médium mineiro enquanto Chico Xavier psicografou, em 42 páginas, mensagem da Sra. Anna Alves Franco dirigida a Divaldo. 1
A missiva carinhosa trazia detalhes envolvendo a todos os 13 filhos. Em determinado ponto da carta a missivista observou que ao desencarnar fora ela recebida por uma grande amiga a Sra. Maria Domingas Bispo, desencarnada em 1932.
Retornando para Salvador Divaldo mostrou a carta da mãe querida a todos os irmãos os quais não reconheceram a existência dessa amiga mencionada por Dona Anna.
Baseado nessa afirmativa – unânime dos irmãos – Divaldo passou a pesquisar, sem lograr êxito, contudo.
Após orar à mãezinha amada surgiu-lhe uma inspiração e finalmente logrou encontrar o registro do óbito, exatamente como a mensagem psicografada por Chico Xavier narrara.
O registro fora encontrado em um cemitério de uma localidade chamada São José das Pororocas. Pois D. Maria Domingas Bispo, na condição de protestante, fora sepultada num local apropriado para os evangélicos, posto que os mesmos não tinham permissão para serem sepultados nos cemitérios católicos.
Abençoada mediunidade e abençoado Espiritismo – o Consolador prometido por Jesus – por trazer à luz do conhecimento humano a verdade libertadora da qual Jesus nos ensinou.

1 A versão completa e detalhada dessa narrativa, pode ser encontrada no capítulo 24 (Chico Não Se Engana), de o livro O Paulo de Tarso dos Nossos Dias, de autoria de Ana Maria Spränger, editado pela LEAL.


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Divaldo Pereira Franco em Fernandópolis, SP

Fotos: Edgar Patrocínio
            Texto: Djair de Souza Ribeiro
O salão social do Villa Vips da cidade de Fernandópolis SP acolheu, na noite do dia 13 de novembro de 2018, um público superior a 3800 pessoas que ali se congregaram para a Conferência Espírita protagonizada por Divaldo Franco, em um evento organizado pela União das Sociedades Espíritas (USE) Intermunicipal de Fernandópolis.
 Divaldo inicia a conferência referindo-se a um episódio ocorrido no Texas – EUA no qual uma mãe aniquilou a vida dos quatros filhinhos para em seguida acionar a Policia e informar o marido.
Durante o processo jurídico investigativo ficou comprovada que a infeliz senhora era portadora de Depressão, manifestando-se como Transtorno Afetivo Bipolar por alternar momentos de profunda tristeza seguido de episódios de intensa euforia.
A partir dessa narrativa, Divaldo realiza uma análise da Depressão revelando sua presença já em tempos recuados, buscando casos desde o Rei Saul (1065 a.C.), e até mesmo na Mitologia grega com a personagem Belorofonte (dono do cavalo Pégaso). Divaldo cita ainda Hipócrates (Séc.IV a.C.) e as preliminares pesquisas em torno da Melancolia denominação antiga do que seria posteriormente a Depressão. Por essa ocasião acreditava-se que o ser humano pensava pelo fígado e amava com o coração e por essa razão o Pai da Medicina estabeleceu a Teoria Humoral (os quatro Humores – sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra) e que a Melancolia era causada pelo desequilíbrio entre esses Humores. Essa teoria prevaleceu até o Séc. XVII (d.C.) quando a Ciência atribuiu ao cérebro a responsabilidade pelos pensamentos. Foi nessa época que teve início o uso da palavra Depressão (do latim Deprimere: apertar, empurrar para baixo).
Foi somente a partir do Século XX que a Psiquiatria passou a melhor entender a Depressão e classificando-a como Unipolar (tristeza, desinteresse pela vida) e Bipolar (alternando a tristeza com a euforia).
A partir dos anos 1940 com a descoberta dos Neurônios e das sinapses neuronais é que a Ciência passou a melhor entender os mecanismos dos Transtornos Mentais Os seguidos progressos da medicina psiquiátrica lograram identificar os Neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelas células nervosas (Neurônios), com a função de enviar informações para outras células estimulando e impulsionando nossas reações. Essas substâncias – cerca de 60 (adrenalina, noradrenalina, dopamina, endorfina etc.) – têm funções muito específicas. Algumas excitam, enquanto que outras são inibidoras.
Com esta descoberta foi estabelecida que a causa do Transtorno Depressivo - Unipolar e Bipolar – residia no distúrbio na produção dos neurotransmissores, perturbando as comunicações entre os Neurônios. Surgem, então, os remédios que buscam compensar esses desequilíbrios.
Paralelamente a Psicologia vai também ampliando sua forma de entender e, consequentemente, assistir os pacientes. A primeira foi a Psicanálise, depois surgiu a Psicologia Comportamental (Behaviorista), mais tarde a Psicologia Humanista.
A inexistência do Espírito, antes apoiada por grande parte dos cientistas começa a desmoronar e a comprovação de que existe, sim, algo além do corpo físico surgem por todo o globo.
Marco dessa nova situação desponta em 1.975 com o surgimento da Psicologia Transpessoal que enxerga o homem Bio-espiritual: corpo e alma, fato comprovado pelo psiquiatra Stanislav Grof com suas pesquisas sobre os estados alterados de consciência e a comprovação da existência de dois tipos de memórias: A memória cerebral e a extra cerebral, brilhantemente documentada e comentada em seu livro Além do Cérebro.
Após essa verdadeira história da evolução dos tratamentos psiquiátricos, notadamente da Depressão, Divaldo passa a abordar as doenças mentais sob o aspecto da Doutrina Espírita.
Enquanto a Ciência materialista se detém examinando as consequências ao afirmar que os Transtornos Mentais têm origem – no campo físico – pela carência ou excesso na produção dos Neurotransmissores por admitir – por enquanto – o ser humano como sendo exclusivamente o corpo físico, atribui esses desequilíbrios na produção dos Neurotransmissores a fatores genéticos.
O Espiritismo que avança e vai muito além estabelece a causa raiz, pois considera a criatura humana como sendo um ser formado de Espírito (a energia pensante), Perispírito (corpo espiritual) e Corpo Físico. É, assim, o Espírito o gerador dos fatores básicos para os desarranjos estruturais do organismo biológico. O Espírito ao reencarnar atrai (impulsionado automaticamente pela Lei de Ação e Reação) as células sexuais - masculina e feminina - que melhor atenderão às suas necessidades evolutivas redentoras.
De maneira lógica e atestando a absoluta justiça de Deus, a gênese dos distúrbios psiquiátricos, assim como de outras moléstias que acompanham a criatura humana, reside no Espírito imortal que violando as leis de Deus, incorrem na necessidade de ressarci-las ao mesmo tempo em que desenvolvem o aprendizado de respeitá-las.
A cada um segundo suas obras, nos alerta Jesus.
Divaldo Franco cita o filósofo e crítico cultural alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 — 1900) que afirmara: Toda vez quando surge uma ideia nova ela passa por três períodos distintos:
1. Período em que é combatida tenazmente - NEGAÇÃO
2. Período em que passa a ser ridicularizada - ZOMBARIA
3. Período onde finalmente é aceita.
Com a Doutrina Espírita não foi diferente. Tão logo ela foi ganhando notoriedade pela seriedade de seus postulados, surgiram adversários gratuitos para combatê-la.
Teve início, então, a fase dos combates e perseguições não somente por parte das religiões dogmáticas cujos ataques eram previsíveis. As reações mais contundentes, porém, partiram dos meios científicos europeus como o do psicólogo, psiquiatra e neurologista francês Pierre-Marie-Félix Janet(1859 — 1947) que em 1.889 afirmou que as manifestações e fenômenos espíritas mediúnicas eram na realidade uma desagregação psicológica e que se explicava como sendo uma dualidade cerebral (aquilo que sou versus aquilo que sonho ser) e, portanto manifestações patológicas, doentias e se equiparavam aos distúrbios psiquiátricos como a esquizofrenia, a histeria e a epilepsia.
Após essa digressão esclarecedora Divaldo passa a abordar as doenças mentais por um prisma que encontra – infelizmente – muita relutância por parte da Psiquiatria: A obsessão.
A obsessão não é loucura. Todavia pode provocá-la se sua manifestação for muito prolongada. A Psiquiatria, porém, despreza essa possibilidade como causa na medida em que é refratária à ideia da existência do Espírito.
Ambas as causas geradoras – a de ordem física quanto a obsessiva – manifestam-se pela deficiência na transmissão ou expressão do pensamento.
Os transtornos mentais - excetuando-se os casos produzidos por acidentes e traumatismos cerebrais ou ainda por moléstias infecciosas (meningite, por exemplo) - têm no Espírito a causa raiz da psicopatologia. O corpo físico é somente o veículo de manifestação.
Espíritos desencarnados adversários, direcionam à mente do hospedeiro físico induções hipnóticas carregadas de pessimismo e de desconfiança, de inquietação e de mal-estar, que estabelecerão as matrizes das obsessões, classificadas por Kardec como sendo: Simples, Fascinação ou Subjugação (equivocadamente chamada de Possessão).
A obsessão - transmissão mental de cérebro a cérebro – se expressa inicialmente como inspiração discreta para mais tarde fazer-se interferência da mente obsessora na mente encarnada, com vigor que alcança o seu apogeu na deplorável subjugação.
Os tratamentos especializados (psiquiátricos e psicológicos) – indispensáveis – podem produzir melhoras no quadro. Todavia os hospedeiros desencarnados não foram afastados, persistindo nas tentativas de perseguição e vingança.
Somente quando ocorrer uma alteração do comportamento mental e moral do enfermo, direcionado para o amor, para o bem, conseguindo sensibilizar aqueles que estejam na condição de perseguidores, é que se dará a recuperação recebendo no processo terapêutico o auxilio – imprescindível - dos medicamentos na reorganização da máquina cerebral.
O Espiritismo – o Consolador prometido por Jesus – mostra as causas e os objetivos dos sofrimentos – físicos e morais – os quais, então, passam a ser vistos como “crises” salutares e que garantirão a felicidade nas existências futuras – se vividos com resignação e sem revolta;
Uma vez esclarecida, a criatura tem a oportunidade de compreender que seu sofrimento é justo e não um castigo de Deus ou obra do acaso.
Neste ponto, a emoção suscitada pelas palavras carregadas de vibrações amorosas de Divaldo vai abrindo passagem até chegar ao imo de nossos corações atingindo o ápice com o Poema da Gratidãoque a todos luarizou.
(Recebido em email de Jorge Moehlecke)

Palestra na Casa do Caminho Ave Cristo com Divaldo Pereira Franco. Birigui, SP

12-11-2018

Fotos: Edgar Patrocínio
        Texto: Djair de Souza Ribeiro
A Casa do Caminho Ave Cristo da cidade de Birigui no estado de SP recepcionou mais de 2.000 pessoas para rejubilarem-se com a palestra “Um Tributo à Paz” proferida pelo tribuno Divaldo Franco na noite do dia 12 de novembro de 2018.
Divaldo inicia a abordagem referindo-se a antiga lenda popular que relata ter Deus se ocultado do tumulto humano em um lugar inexpugnável por se consubstanciar em um local no qual muito dificilmente O buscariam: No íntimo da criatura humana. Em seu coração.
Com essa bem humorada e lúdica abordagem Divaldo realçou a necessidade de buscar se autoconhecer e beber das fontes inexauríveis do amor, da paz, da harmonia e da serenidade de Deus que habita o âmago de toda criatura humana.
Porém, perturbada com as preocupações a que dá demasiada importância tais como a opinião dos outros, a aparência, a conquista das coisas externas, o convívio social e disputas insignificantes, a criatura descuida-se de si mesma e permanece ignorante da sua realidade profunda: É um Espírito imortal, temporariamente enclausurado em um corpo físico e cujo propósito é o de se desenvolver moral e intelectualmente.
O corpo físico, mortal e temporário, é constituído de matéria que não passa de Energia condensada (congelada, cristalizada) formada pelos elementos químicos disponíveis na Natureza. Com um brilhantismo alicerçado em profundo conhecimento Divaldo nos fala da questão do átomo informando sobre as descobertas dos cientistas que revelaram a existência de partículas subatômicas: os Prótons, os Nêutrons, Elétrons, Léptons, os Quarks e as partículas intermediárias os Bósons entre os quais o que maior destaque recebeu recentemente: o Bóson de Higgs e que fornece massa à matéria, caracterizando-a como tal.
Mas apesar de toda a descoberta gloriosa da Ciência, ainda matamos por frivolidades e privilegiamos o intelecto em detrimento do sentimento. Buscamos a paz na felicidade dos objetos e nas situações que nos fornecem prazer nunca a encontrando conforme citava o pensador Vicente de Carvalho: “A felicidade está onde nós a pomos, mas nós nunca a pomos onde nós estamos”.
Muitos consideram o sucesso como sendo sinônimo de felicidade. Fosse isso verdade os artistas, esportistas, executivos e todos aqueles que obtiveram sucesso em suas trajetórias amados ou invejados pelas multidões não cometeriam suicídio, pois o Sucesso nos dá alegria ao nos proporcionar o prazer por atender ao nosso narcisismo, mas deixa um tremendo vazio quando, um dia, se acaba nos envolvendo na solidão.
O foco da vida passa, então, a ser as conquistas imediatistas gerando a perda do sentido existencial com a consequência funesta da Depressão e do vazio existencial, levando a criatura que experimenta essa constrição a desejar a libertação da terrível angústia. Incapaz de compreender esse desejo de “libertação” acaba fugindo pelo mecanismo do suicídio.
O ser humano deve aprender a ser feliz de acordo com as circunstâncias, incorporando e vivendo a certeza da transitoriedade do seu corpo físico e da sua eternidade espiritual.
A criatura humana não pode continuar sendo um ser cuja preocupação básica é a de satisfazer impulsos e atender aos instintos. Assim pensando e agindo chegamos a um estranho paradoxo onde cada vez mais, as pessoas têm os meios para viver, mas não têm uma razão pela qual viver. Em nenhuma outra época da sociedade humana houve tanto bem estar proporcionado pelo avanço da tecnologia e da pujança econômica. Porém, todos esses fatores não são suficientes para modificar o quadro observado nos comportamentos da criatura.
O Espiritismo vem despertar a nossa consciência para a necessidade de encontrarmos um sentido psicológico para a vida deixando a fase do primarismo representado pelos instintos e as sensações.
Nós somos mais do que um corpo físico e emocional. Somos também aqueles que trazemos na alma a presença de Deus e nascidos para amar, pois o amor é o ápice do nosso processo evolutivo ético e moral.
O sentido da vida, conforme nos ensinou Jesus – Modelo e Guia - é AMAR.
Para aqueles que já têm a consciência iluminada pelos ensinamentos do Cristo o verdadeiro Vencedor não é aquele que conquista bens, poder, projeção social. Para a moral de Jesus o Triunfador é aquele que vence a Si mesmo e Vitorioso é aquele que controla as suas más inclinações e vence as suas más tendências.
Buscando enfatizar a abordagem do tema, Divaldo emociona-nos a todos narrando com peculiar sentimento os acontecimentos derradeiros da existência física de sua mãe (Anna Alves Franco) que promete – no leito de morte – retornar para enxugar lhe o suor e as lágrimas das atribulações da vida.
Passados quinze dias da desencarnação da mãezinha querida eis que ela lhe surge diante da mediunidade durante uma conferência espírita no Paraná. A dor presente do ser ausente
Ali estava, em Espírito, aquele ser amado. Trajava-se de um vestido em seda em tudo idêntico ao que Divaldo havia lhe dado quando de seu primeiro salário.
Envolvendo Divaldo em grande amor falou-lhe:
— Diga a todos que estão te ouvindo nesse momento que a morte não existe.
A vida não é uma prisão e nem tampouco nossas aflições são castigos de Deus. São, na verdade, desafios existenciais que nos convidam a desenvolver qualidades que ainda não possuímos ou então oportunidades de expiarmos equívocos transatos, pelas atitudes fomentadas pela ausência de um sentido transcendente para a vida.
Uma vida para ser plena demanda aspirações mais completas a nos impulsionar no campo do aprimoramento intelectual, da estesia e da conquista de valores éticos e morais superiores.
Não devemos valorizar o mal que pulula à nossa volta e nem permitir que nos tirem a paz e a alegria de viver.
Hoje, nesses dias tão atormentados e atormentadores, devemos buscar Jesus, refletir sobre Suas palavras e vivenciá-los mantendo nossas mentes a Ele vinculadas pelos pensamentos de teor elevado.
Busquemos aproveitar a nova oportunidade que tantos pedimos antes do retorno ao corpo físico. Esforcemo-nos por encontrar um sentido psicológico para nossas existências, pratiquemos o bem e a Solidariedade.
Um tributo à paz e em nome da paz nos lembramos das palavras de Jesus, Modelo e Guia de todos nós.
— “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.  João 14:27


(Recebido em email de Jorge Moehlecke)

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Encerramento da Reunião do CFN/FEB 2018 Brasília, DF

No encerramento da Reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB, ocorrida no último dia 11 de novembro, o Quartel-General do Exército recebeu a palestra do orador Divaldo Franco. Confira alguns dos momentos do evento:

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

4ᵒ Movimento Você e a Paz, em São Paulo

Sequer a chuva foi capaz de espantar as pessoas de diversos credos que vieram em busca de celebrar a paz no quarto movimento da cidade de São Paulo, ocorrido em 10 de novembro de 2018, no auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer. Idealizado pelo médium e orador espírita Divaldo Franco e organizado  pela Associação de Desenvolvimento Espiritual Reencontro, o evento teve a participação das apresentações musicais de  Anastasha Meckenna, Virginia Rosa e banda Soul da Paz. 
Jacqueline Dalabona, mestre de cerimônia, e Odilon Wagner agradeceram a presença de todos e anunciaram  os  agraciados com o Troféu Você e a Paz. Na categoria “Instituições que realizam”, foram homenageados os Institutos Olga Kos e Credipaz, além da rede de loja de chocolates Cacaushow. Já na categoria “Personalidade física que se doa”, foram lembrados o humorista Carlos Alberto da Nóbrega e o escritor Maurício de Sousa.
Cônego Joé Bizon, representante do catolicismo,  propôs,  em sua fala, a construção de uma cultura de paz. Convidou a todos a se reconciliarem e perdoarem, evitando a intolerância e promovendo o tratamento fraterno dentre seres humanos. Para ele, sem paz não haverá justiça, pois segundo o profeta Isaías, a paz é o fruto desta. Ao encerrar seu pronunciamento, menciona o pensamento do papa Francisco sobre as diferenças religiosas, que não devem ser fontes de divisão, mas sim uma força em prol da unidade, do perdão, da tolerância e da sábia construção de uma nação. As religiões podem auxiliar a extirpar as causas dos conflitos, construindo pontes de diálogos e sendo uma voz proféticas às pessoas que sofrem.
Paula Cristina Corcelli Jorri (representante da umbanda), aconselhou aos ouvintes a serem portas de paz, permitindo que esse sentimento permeie as palavras, gestos e obras. Alerta para o fato de que não basta apenas vestir branco para simbolizar a paz, mas que é necessário internalizar o branco, vestindo-se de dignidade, ética e responsabilidade.
O rabino Nathan Ruben Silberstein (judaísmo) menciona que Deus é a fonte da paz e que Esse consegue realmente unir as pessoas em favor de sentimentos nobres. Para seu companheiro de religião, o rabino Michel Schlesinger, a paz é uma conquista que se atinge à medida que em que se está de bem consigo mesmo. Os dois respeitáveis senhores finalizaram suas falas desejando que todos consigam atingir a paz.
 Divaldo Franco iniciou sua mensagem, referindo-se a uma história ocorrida durante a primeira Guerra Mundial, no período de 1915 a 1917, em que turcos e armênio se combatiam. Os soldados da Turquia, ao invadirem uma das casas armênias, assassinaram os pais da família, deixando duas jovens órfãs. A mais jovem foi estuprada até a morte e a demais, foi transformada em escrava sexual do comandante da tropa.
Terminada a guerra, e tendo conseguido se evadir, ela tornou-se enfermeira na Turquia, indo trabalhar em um hospital. Nesta ocasião, um homem agonizante necessitava de cuidados especiais, porém ninguém queria cuidar dele, que estava coberto de úlceras putrefatas: somente aquela enfermeira armênia dedicada aceitou cercar-lhe de atenção. Quando convalescido, o doente agradeceu-a, e ela contou-lhe quem era. Disse também que porque se tornara cristã, não poderia prejudicar ninguém, nem mesmo seu algoz do passado, que tanto a fizera sofrer, atendendo assim o ensinamento de Jesus, o de amar os inimigos. Divaldo leva o público à reflexão mais íntima, perguntando-lhe se, assim como ela, seria capaz de perdoar. Porque somente o perdão traz a paz.

Em setembro de 1939, a educadora italiana Maria Montessori, ao ser convidada a proferir uma palestra sobre a paz, a homens de Estado,  inicia seu discurso ponderando que a criatura humana não é educada para a paz, sendo somente formada para a prepotência, para o triunfo enganoso,  a mentira, a quimera, a ilusão e  afirma que a salvação da humanidade virá através da Educação. Isso condiz com a questão 685 do Livro dos Espíritos que menciona ser a educação moral a única forma de combater o materialismo e a crueldade. Divaldo pondera que Allan Kardec também foi educador e  discípulo de Pestallozi (pai da educação chamada Escola Nova), além de Jesus Cristo, mestre por excelência. A paz é mais do que um estado de aparente modorra, ela pode ser de natureza agitada e encontrar-se numa pessoa ágil, ligeira, mas com a consciência de paz.
O medo é a ausência da paz, pois perdeu-se a confiança no próximo. Ao invés de amar, está-se preocupado em armar. Diante disso, Divaldo propõe desarmar para amar mais os semelhantes, como está intrínseco na não-violência proposta por Gandhi. A paz do Cristo é universal e apolítica, por isso Franco propõe que se siga os exemplos de Francisco Candido Xavier, Madre Tereza de Calcutá e o papa Francisco, descobrindo os invisíveis e auxiliando-os, como fizeram os heróis, hoje célebres, e os anônimos amantes da verdade. Ao finalizar a sua fala, retoma a pergunta primeira: “você perdoaria?”. O ódio é a brasa que, ao jogar-se no criminoso, queima também as mãos do atirador.
De Lucca, representante do espiritismo, traz em sua mensagem o pensamento de que a promoção da paz não é passividade, mas, sim, evitar com que se seja o contribuinte para a violência, buscando o sagrado habitado em cada ser humano.  Rememorou um caso de Chico Xavier, quando este teve seu cão envenenado por uma vizinha, magoando-o. Emmanuel, nesta ocasião, solicitou a ele que procurasse saber o que a vizinha estaria precisando e lhe desse de presente, livrando-se assim de quaisquer ressentimentos e pagando o  mal com o bem, perdoando verdadeiramente.
O evento encerrou-se em clima de harmonia e união, com a música emblemática do movimento (A paz, composta por Nando Cordel) e entoada por todos que se encontravam no local, provando que é possível a união de diversos credos em favor de um bem maior.
 Texto: Carlyne Paiva         
Fotos: Edgard Patrocínio

domingo, 11 de novembro de 2018

Palestra para os trabalhadores do Reencontro, em São Paulo

Na data de nove de novembro de 2018, que antecede ao quarto movimento “Você e a Paz”, na cidade de São Paulo, cerca de 250 trabalhadores voluntários e convidados se reuniram no salão de cursos do Reencontro, para ouvirem as palavras elucidativas e consoladoras do orador espírita Divaldo Franco.
A reunião foi aberta com canções interpretadas por Anatasha Meckenna e que muito sensibilizaram os ouvintes. Logo após, a Associação de Desenvolvimento Espiritual, homenageou o palestrante da noite ao inaugurar e nomear o salão, em que estavam os presentes, como: “Auditório Divaldo Pereira Franco”.  O presidente Jonas Pinheiro, movido por um senso de fraternidade, também iniciou uma campanha em prol da Mansão do Caminho, incentivando os colaboradores compassivos a auxiliarem esta obra de Amor. Lembrou a todos da grandiosidade desta obra, que atende mais de cinco mil pessoas diariamente, prestando socorro à comunidade e jamais negando auxílio aos necessitados. Para isso, conta com mais de trezentos funcionários e trezentos e cinquenta voluntários dispostos a manter todas as atividades em serviço dos que adentram a instituição na busca de atendimento médico, social, educacional ou espiritual.

Divaldo Franco agraciou os presentes com uma profunda reflexão sobre a caridade, convocando-os a não tardarem em realizá-la. Para tanto, lembrou de uma frase dita por Dr. Bezerra de Menezes, através do médium Chico Xavier: “Quando a caridade é muito discutida, o socorro chega tarde”.
Lembrou do exemplo de Vicente de Paula, que fora confessor da coroa parisiense, mas que decidiu se despojar do conforto e viver Jesus na rua, em meio a fome, o frio, a peste que dizimava e as demais misérias humanas. Por mais que trabalhasse, não conseguia atender por completo a escassez, ficando desolado com a situação. Logo, decide buscar socorro aos necessitados, entre aqueles que governavam a população, pois é necessário que se tenha a coragem de suplicar apoio em nome das pessoas carentes.

Rememorou também que, quando jovem, nos anos cinquenta, teve a ideia de alugar uma carroça e recolher doentes para morrerem em lugares mais aconchegantes de cuidados e ternuras, pois é necessário que se lute contra a indignidade humana. Construiu um barracão com a ajuda de Nilson de Souza Pereira, chegando a atender até 40 doentes. Na estrutura, não havia portas nem janelas, pois a verdadeira caridade é um gesto espontâneo, que não nega auxílio aos necessitados: todos poderiam adentrar. Lembrou de uma senhora em especial, com marcas de varíola e uma perna amputada, que, frequentando o barracão agora denominado “Casa de Jesus” e prestes a desencarnar, desvelou ser uma mulher de cultura erudita. No passado, fora embaixadora do Brasil no Egito, Uruguai, Argentina, entre outros países, mas que naquele momento, despida de posses e a depender da caridade alheia, dissera-lhe: “Nunca sabemos o nosso fim, procure fazer sempre o bem para que o bem fique no nosso coração”.
Após as palavras de Divaldo Franco,  Dr. Juan Danilo Rodrigues encerrou o evento brindando os ouvintes com uma magnífica prece em forma de canção.

Texto: Carlyne Paiva
Fotos: Edgard Patrocínio

(Recebido em email de Jorge Moehlecke)

domingo, 28 de outubro de 2018

Divaldo Franco no Paraná Curitiba

27 de outubro de 2018
1º Encontro da Área de Assistência e Promoção Social Espírita na Federação Espírita do Paraná
O Encontro, reunindo os trabalhadores da área de Assistência e Promoção Social Espírita - APSE -, foi realizado no Recanto Lins de Vasconcellos, em atividade que se iniciou às 08h00min e teve seu encerramento às 18h20min. Após a abertura, Rubens Marcon abordou os aspectos legais da Assistência Social, discorrendo sobre inúmeros diplomas legais disciplinadores, orientadores, normalizadores e sistematizadores, envolvendo vários órgãos governamentais e instituições prestadoras de serviço.
Divaldo Pereira Franco, que se faz acompanhar pelo dileto amigo Juan Danilo Rodríguez Mantilla, espírita equatoriano, médico e psicólogo, facilitando-lhe os deslocamentos e os cuidados de saúde. O tema que foi abordado pelo preclaro orador baiano foi: O trabalhador e o assistido. Divaldo, apesar de sua problemática envolvendo hérnias de disco, que lhe tolhem movimentos e causam-lhe muitas dores, mantém-se jovial, alegre e prestativo, acolhendo todos os que se lhe acercam para um cumprimento, um gentleman.
Destacando que se sente muito feliz por estar em Curitiba sob a proteção da FEP, que visita desde abril de 1954, Divaldo Franco informou que iria falar de coração para coração, repartindo a sua experiência adquirida ao longo de 70 anos de atividades, quando passou a visitar e compartilhar as dores dos que estão em fase de sofrimento.
Há vinte anos a Benfeitora Joanna de Ângelis propôs um novo rumo ao Centro Espírita, fundamentado nos ensinos de Allan Kardec, que pautava seus atos na trilogia, trabalho, solidariedade e tolerância. Evidenciou as experiências de notáveis educadores, inclusive de Johann Heinrich Pestalozzi. A criança é o berço ideal para se semear a verdade. Pestalozzi amava as crianças de rua e reunia-as em sua casa em Yverdon, na Suiça, trabalhando o método do amor, recebendo as crianças e conversando com elas pondo-se de joelhos para que ficasse na mesma altura das crianças, olhando-as nos olhos na mesma linha horizontal, criando a escola nova no exercício do amor com base no trabalho, solidariedade e perseverança.
Joanna de Ângelis apresentou uma trilogia para ser trabalhada pelos centros espíritas assim estabelecida: Espiritizar, Qualificar e Humanizar. O Espiritizar tem por base os fundamentos da Doutrina Espírita, a crença em Deus, a pluralidade dos mundos habitados, a imortalidade do espírito, a comunicabilidade entre os Espíritos e os encarnados, a pluralidade das existências e a ética e a moral do Evangelho de Jesus. Espiritizar é fazer com que a Doutrina Espírita penetre no ser humano, desenvolvendo a tolerância com liberdade de pensar, falar e de agir.
O espiritista tem o dever de colocar a caridade em ação, dignificando a existência do assistido, dando-lhe a cidadania com trabalho digno. O espiritista deve observar que na condição ético/moral, os seres são diversos. Espiritizar é fundamental para auxiliar o próximo, cooperando com ele. Apresentando enriquecedoras experiências, Divaldo Franco, o trator de Deus, nas palavras do saudoso Chico Xavier, discorreu sobre grandes nomes e seus feitos no tocante à caridade, incluindo a passagem do Bom Samaritano, conforme ensinado pelo Mestre Nazareno, uma página de rara beleza e de excelentes resultados de assistência social.
O espírita deve agir com bom humor, com alegria de viver e de servir, utilizando-se de todo o momento disponível para estar a serviço do próximo, sendo solidário, tolerante, compreendendo a sua dor, o seu sofrimento. O necessitado é o irmão que momentaneamente está naquela condição, devendo ser servido com alegria, estimulando-o à mudança para melhor.
O Qualificar, da trilogia, é de fundamental importância tendo em vista facilitar entender os dramas, as misérias morais. Qualificar-se é poder oferecer luz aos que se encontram na escuridão de suas dores, para tirá-los da miséria sócio moral. Qualificar é preparar-se para bem servir e para fazer bem o bem que lhe compete realizar.
Fechando o triângulo equilátero, o Humanizar significa desenvolver a emoção, a sensibilização, sem esquecer que os benfeitores auxiliam sempre. Autoiluminar-se é tarefa inadiável para aquele que deseja servir o seu próximo, equipando-se de conhecimento para pôr-se em sintonia com o assistido.
O trabalho em nome do Cristo exige devotamento e sacrifício. Desde há alguns anos Espíritos muçulmanos e judeus, desencarnados, se uniram em um pacto para dificultar a existência humana, agindo em especial contra os espíritas que são atingidos por pensamentos deletérios. Eles agem posicionando-se contra o sentido ético, destruindo a família, inspirando agentes encarnados para satisfazer os seus ditames, desestrurando a sociedade humana, levando os indivíduos a práticas perniciosas, individuais e coletivas. Divaldo Franco alertou para que não se deixem contaminar pelo ódio, envenenando as relações humanas. É uma verdadeira guerra, tornando as criaturas humanas inimigas uma das outras, como se pode notar nas relações atuais nesse período atual.
Nada poderá separar a criatura humana do amor do Cristo, desde que se mantenha fiel a Ele, amando o próximo, perdoando, sendo-lhe servidor amoroso. Allan Kardec vaticinou que a Doutrina Espírita irá crescer e se multiplicar e que somente o homem perceberia isso no futuro. O homem ainda se encontra no lamaçal da própria consciência, mas que sairá através do devotamento ao próximo com amor.
Na parte da tarde, Miriam Feuerharmel apresentou os dados e os métodos empregados na APSE da FEP, destacando, entre outros assuntos, o texto de Emmanuel, intitulado Caridade Essencial, uma psicografia de Chico Xavier e que se encontra no capítulo 110 da obra Vinha de Luz.
A proteção social e a APSE – Diálogo e articulação foi o tema apresentado por Edvaldo Roberto de Oliveira que desenvolveu o assunto com dados sobre o apoio que se dá e se recebe, na família e na sociedade humana. A ação protetiva deve ser no âmbito espiritual, emocional, afetiva e material.
Divaldo Franco, retornando à tribuna, disse que o Evangelho de Jesus é um hino de louvor as boas novas, de alegria de viver. Antes que desenvolvesse o seu tema, Divaldo solicitou que Juan Danilo cantasse a canção You Raise me Up, uma história religiosa, dando um sentido para o tema que iria abordar, a chegada do Mestre e as suas curas. Israel experimentava inquietações que não identificava. Jesus estava por chegar e permanecer algum tempo entre os homens. Havia uma expectativa no ar, havia angústia, decepção, pois que a criatura humana havia sido reduzida em importância. Israel era monoteísta, cercada por politeístas.
Na casa de Simão Pedro, Jesus havia procedido as curas durante todo o dia, notadamente a de Natanael Ben Elias. Ali estavam as necessidades humanas, as aflições. A multidão, como na atualidade, estava ansiosa pela cura. Vendo-O cansado, Pedro dispersou a multidão ao entardecer, e levou o Mestre a descansar a beira do mar da Galileia, e sentado em uma pedra, Jesus chorou. Pedro, exultante pelos resultados positivos imaginou que Jesus chorava de alegria. No entanto, o Mestre lhe diz que era por compaixão, pois que, aqueles que haviam sido beneficiados pela cura estavam se perdendo novamente nos desvãos da moralidade e da iniquidade.
Como para as curas, é necessário que o ser humana creia para poder conquistar qualquer objetivo. Crer é uma proposta terapêutica. Simão Pedro, como os que foram curados também não compreenderam o sentido. Jesus não veio para curar as feridas do corpo, mas as da alma. Jesus veio para curar as feridas da alma para que os corpos não tenham feridas. Estabeleceu que intercederia pelos homens rogando a Deus que enviasse outro consolador para que esse ficasse permanentemente com os homens, ensinando, relembrando e esclarecendo para que possa ser consolado.
O Espírito de Verdade veio para restaurar a mensagem do Cristo, trazendo conhecimentos novos, e a sublime mensagem do amor alcança os ouvidos e os corações dos que O escutam. Jesus veio para amar. Em nome dele as perseguições aconteceram, e os cristãos experimentaram dores acerbas no testemunho de sua fé. Como o homem é insensato, nos períodos que se seguiram, e tendo os cristãos assomado ao poder, passaram a perseguir e a matar os perseguidores de outrora. Perseguido ontem, perseguidor hoje. Aí estão, na História, os tribunais do Santo Ofício, a Inquisição.
Divaldo apresentou os primórdios do Espiritismo, a partir dos fenômenos de Hydesville, em 31 de março de 1848, e a comprovação daqueles fatos em 1905. Em 1852 Paris era a cidade das artes e da beleza. Nesse contexto, as mesas girantes ganharam notoriedade. Hippolyte Léon Denizard Rivail passou a investigar os fatos inusitados, e apresentando uma ciência nova, o Espiritismo, caracterizando a volta do Consolador, prometido por Jesus, o modelo e guia para a humanidade, sob o pseudônimo Allan Kardec.
No seu desvario, o homem vai se equivocando e angariando débitos para com a Lei Divina, que pela sua natureza, coloca o infrator diante de si mesmo a fim de que se recupere pelo exercício do amor. Joanna de Ângelis afirma que as condecorações dos cristãos são as cicatrizes adquiridas no trabalho em favor do próximo, em nome de Jesus.
O ínclito orador destacou que o objetivo do encontro é a qualificação para melhor servir, sem criticar outras iniciativas ou instituições. A solidariedade, a caridade está acima de qualquer confissão religiosa ou filosófica. O próximo é sempre o próximo, creia ele neste ou naquele sentido, seja ele quem for, será sempre o próximo. O Espiritismo é o grande incentivador da sensibilização das almas para que a caridade possa se fazer presente no seio dos assistidos. O Espiritismo é alegria, é uma doutrina de coragem, pois que Jesus é um notável psicoterapeuta e suas mensagens são de otimismo, suavizando as dores.
O Evangelho de Jesus, exarado em a Doutrina Espírita, é magnífico, lúcido, esclarecedor e consolador. Espiritizar, Humanizar e Qualificar é o objetivo a ser alcançado em nome do exercício do amor. Todos passam pelas dificuldades, por isso, deve ser mantido o bom ânimo, a confiança e a responsabilidade, respaldadas nas obras de agora, tornando-as pontes para facilitar a vida do outro.
Finalizando, Divaldo destacou um ensinamento da Benfeitora Joanna de Ângelis, quando ela incentiva a que se deixe pegadas luminosas por onde se passe, com o fim de sinalizar o caminho que conduz na direção de Jesus. Aconselhou os presentes a serem otimistas, servindo onde se encontre, sendo solidário, fortes pela união em torno do Mestre Nazareno. Agradecendo a oportunidade do trabalho, destacou que volta aos labores cotidianos da Mansão do Caminho, deixando a mensagem para que uns possam amar aos outros, mantendo-se na esperança e confiantes em dias melhores, e que a paz de Jesus se faça presente nos corações de todos. Efusivamente aplaudido, recebeu os gentis cumprimentos dos presentes.
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

Divaldo Franco no Paraná Curitiba

26 de outubro de 2018
Conferência Pública
A caridade é a alma do Amor. (Divaldo P. Franco)
Divaldo Franco, em seu ingente trabalho de divulgação de o Evangelho de Jesus, esteve em Curitiba no dia 26 de outubro de 2018 para proferir uma conferência pública no Expo Renault Barigui, discorrendo sobre o tema: Caridade, Luz da Vida. O público, formado por cerca de quatro mil expectadores, cativado pela verve do Semeador de Estrelas e demonstrando grande interesse, manteve-se atento e participativo.
Estando presente a Diretoria Executiva da Federação Espírita do Paraná – FEP – e diversas lideranças espíritas paranaenses, Divaldo Franco, acompanhado por Juan Danilo Rodríguez Mantilla, espírita equatoriano, atualmente residindo no Brasil, na Mansão do Caminho em Salvador/BA, ambientando o assunto discorreu sobre o Papa Bórgia e sua família, bem como sobre a decadência do pensamento religioso daquela época, final do século XV. Nos séculos seguintes, XVI e XVII, operou-se uma revolução filosófica, e o pensamento se alarga.
Com a ruptura entre a ciência e a religião, no século XVI, o pensamento filosófico foi se impondo em patamares de melhor compreensão, sendo que o século XVII representou um marco histórico de mudança profunda do pensamento humano. Divaldo, então, apresentou sucintamente as teorias de Pierre Gassendi, John Locke, Thomas Hobbes, Johannes Kleper, Blaise Pascal e Baruch Spinoza. No século XVIII, outros pensadores e filósofos iluministas como Jean-Jacques Rousseau, Voltaire e outros, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade ganham notoriedade, o homem conquista seus direitos.
No século XIX a filosofia e a religião passaram a convier em harmonia. Allan Kardec, discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi – que afirmava que a criança deveria ser educada em bases novas -, apresentou a Doutrina Espírita, lançando luzes para um entendimento aclarado sobre o próprio homem, sua origem, o sentido psicológico do existir, suas relações com Deus, com os Espíritos, a imortalidade, os diversos mundos habitados, a reencarnação, a pluralidade das existências e o Evangelho de Jesus, onde o homem é o semeador que colhe obrigatoriamente os frutos de sua semeadura. A Doutrina Espírita é uma ciência filosófica, trazendo de volta ao seio da humanidade a figura de Jesus e a caridade, obra do amor.
Esse enfoque chega até os dias atuais, conturbados nas várias expressões em que o ser humano se apresenta. A Lei de Amor apresentada pelo Mestre Galileu estabeleceu que a criatura humana deve se amar, amar ao próximo e amar a Deus, fazendo ao seu próximo tudo quanto desejaria receber dele. Dos instintos aos sentimentos o ser humano trilha diversos caminhos estagiando em várias situações desenvolvendo as virtudes, as propriedades herdadas de Deus. O conhecimento de si mesmo é o destino a que o homem chegará realizando a grande viagem para dentro de si, sendo fundamental desenvolver o autoamor para poder amar o semelhante.
A caridade, como expressão do amor, para ser exercida precisa contemplar o pão repartido, o estímulo à esperança e a alegria de viver. Na atualidade, o coração do ser humano está frio, fruto do individualismo. A Doutrina Espírita é a ponte que une a ciência e a religião, demonstrando a excelência do Espiritismo e a sua perfeita concordância com a ciência, nas suas várias expressões.
Segundo o orador, vivemos um momento histórico em que os nobres cientistas realizam um movimento de retorno à Deus, promovendo, mesmo sem que o saibam, uma nova aliança entre a Ciência e a Religião. Divaldo Franco destacou a figura de Jesus como expoente máximo da Lei Divina na Terra, da caridade, sendo o mais perfeito psicoterapeuta da Humanidade, capaz de alcançar os conflitos mais profundos existentes em a natureza humana e oferecer consolo e alívio para as todas as dores.
Os modernos cientistas desvendaram e continuam em árduo trabalho para ampliar o conhecimento libertador, e o Espiritismo dá ao homem uma realidade profunda, onde a imortalidade da alma se impõe pela lógica racional e experimental. No mundo de regeneração as virtudes substituirão as imperfeições, em um trabalho de aperfeiçoamento, desde agora, tornando-se, assim, o homem, em um ser caridoso, cumpridor da Lei de Amor.
A caridade é o amor, é dar-se, fazer com que a criatura humana tenha um propósito para realizar na vida, para tal é necessário o autoconhecimento, alinhado com a melhor ética, a do Cristo, a ética do amor. Sobre o Brasil, o insigne orador destacou que é hora de os brasileiros se unirem em um sentimento de brasilidade para que o bem viceje e o ódio se dilua pela ação dos bons no exercício da caridade fraternal, vencendo as más inclinações, desenvolvendo sentimentos e aspirações nobres. A caridade é a alma do Amor. 
A alegria de viver se apresenta quando se oferece a mão ao próximo, despida de qualquer sentimento negativo, construindo um mundo melhor. Um mundo de solidariedade, de fraternidade e paz interior, deixando para trás qualquer ressentimento, estendendo a mão para servir, lembrando, sempre, que a honra é para quem serve e não para quem é servido. Jesus convoca os homens para estar com Ele, recebendo a consolação. A Humanidade está em um processo de evolução, e Jesus é o caminho, a verdade e a vida.
Após discorrer sobre uma experiência, onde o beneficiário recobrou a saúde e a alegria de viver, Divaldo destacou que o amor, a caridade, são mecanismos que operam transformações inimagináveis. Com o Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues, Divaldo encerrou a brilhante conferência, recebendo calorosos aplausos, onde o público, reverente, colocou-se de pé, em gesto de gratidão.
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke