quarta-feira, 6 de março de 2019

Divaldo Franco - 35° Congresso Espírita do Estado de Goiás Goiânia

Família, Vida e Paz, Goiânia
05 de março 2019

Texto: Carlyne Paiva,  Fotos: Edgar Patrocínio


No dia 05 de março de 2019, terça-feira de carnaval, Divaldo Franco realizou o seminário, de temática central “Família, vida e Paz”, no 35ᵒ Congresso Espírita do Estado de Goiás , organizado pela FEEGO.
Para abordar o tema proposto, Divaldo iniciou sua fala relembrando ao público presente sobre o mito de Tirésias, originado na Grécia Antiga, em que este famoso profeta de Tebas  foi cegado por Hera ao decidir uma questão a favor de Zeus:  ele sabia que a sua decisão levantaria a ira do o deus derrotado.
Tirésias dá razão a Zeus, dizendo que a mulher ama mais que o homem, deixando, assim, Hera, furiosa por sua derrota. Mas Zeus, compadecido e em recompensa por Tirésias ter dado a ele a vitória, deu-lhe o dom da previsão, da visão interior, pois cego para as coisas externas, poderia concentrar-se mais em seus valores internos.
Esse mito pode ser considerado uma reflexão à proposta psicológica eminentemente terapêutica de harmonia dos relacionamentos humanos, não apenas os de natureza sexual, mas também aqueles que dizem respeito a sexualidade.
Sobre a questão da visão anterior, que pode ser considerada a do mundo, e a visão atual, a do ser, Divaldo convida a rememorar Platão em um de seus diálogos, “A República”, mencionando que a   verdadeira felicidade humana depende de uma ética: sistema de valores através dos quais o indivíduo tem a paz da sua consciência. A ética é de natureza abstrata, sendo somente uma informação de natureza equilibrante. Este mesmo princípio ético é citado por   Sócrates, em uma famosa frase, para quem foi-lhe dada a autoria, mas que advém dos sete sábios da Grécia antiga: “conhece-te a ti mesmo”. Na questão 919, d’O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?” e obtém como resposta: "Um sábio da antiguidade vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo."
 Para Platão, a verdadeira ética é o sentido de equilíbrio do indivíduo perante o próximo, a sociedade e a si mesmo, porque somente o ser humano que tem a responsabilidade pelo autoconhecimento é capaz de compreender e confraternizar. 
Ao ser sentenciado por seus acusadores, Sócrates optou em morrer, pois estava mais preocupado em ser um indivíduo ético, sem tentar se defender em absoluto, porque, para ele, não era ética, a defesa.  E quando a sua esposa lhe indaga sobre o ato de não se defender, lembrando-lhe que era inocente, ele redargui dizendo que tanto assim, melhor, porque se fosse culpado, estariam fazendo justiça.
Para Divaldo, a ética é o equilíbrio, são os dizeres de Jesus, é o Amor, é nunca devolver o mal, porque quando o mal nos perturba, não nos faz mal:  se não dermos valor, ele não tem nenhum sentido. Cita Aristóteles e o ideal de beleza, afirmando ser necessário uma ética, que só possui fundamento se estiver dentro de um conceito estético, que deve estar no bom comportamento e no bem conviver.

Para desenvolver melhor sobre a ética, também menciona Saulo de Tarso, que na cidade de Damasco, carrega cartas para prender Ananias e assim desbaratar o primeiro grupo de cristãos fora de Jerusalém. Mas, eis que uma luz cinde do céu, quebrando a do sol e cegando-o. Era Jesus, que em sua ética lhe pergunta sem nenhum subterfúgio: “A quem persegues?” E, como o servo que reencontrou ao seu senhor, Saulo pergunta, em uma decisão ética “o que queres que eu faça?”.
Divaldo, numa pergunta retórica, indaga por que se aceita Jesus, para logo após responder que somente Ele preenche o vazio existencial. Este advém da visão do mundana, que é transitória. Já a visão interior é o mundo de uma concepção, é a beleza que está dentro de nós, que é deus e está miniaturizado no ser em que  se é  constituído. Por isso,  vem a necessidade do amor familiar, doméstico, pois a doutrina espírita é a do equilíbrio da família, sem que haja nenhuma submissão entre seus constituintes, mas sempre pregando a  harmonia.
Humberto de Campos, no livro:  A Boa Nova, narra um episódio em que Maria vai visitar Isabel  e enquanto as duas estão conversando, João e Jesus, que então por volta de 4 a 5 anos de idade,  vão até à beira de um precipício. Maria pergunta  a seu filho, o que fora fazer ali e ele responde-lhe: “vim tratar de assuntos de meu Pai”. Nesta passagem da vida de Jesus, duas famílias se apresentam:  a de Isabel e a de Maria, mas acima de tudo, Jesus menciona que a sua não é a família biológica, consanguínea (a mesma que tem o dever de educar para oferecer o indivíduo ao mundo), mas, sim,  a família espiritual. Nos três primeiros séculos depois de Cristo,  a verdadeira família,  do ponto de vista cristão,  é a dos homens do caminho, dos cristãos.
 Jesus não veio fundar uma religião, pois ele era o Amor. Ele coloca como fator primordial amar-se para se fazer a viagem interior do autoconhecimento, tendo em vista que,   depois do amor a si próprio, adquire-se a ética e logo após,  a estética, para amar ao próximo.

O Espiritismo não são os espíritas, o movimento espírita é o grupo de indivíduos que está em reforma íntima sob a luz abençoada da doutrina.  Logo, se alguém delinque, a decepção não deve ser com o Espiritismo, por se tratar de uma adulteração do indivíduo. A decepção deve ser com o homem. O Espiritismo exige a prática da caridade para conosco mesmo e essa prática  é a proposta de Zeus, no mito de Tirésias: é a visão interna, a iluminação, a busca do ser que somos, no corpo que estamos.
A família é o lugar que Deus colocou o ser humano para desenvolver experiências iluminativas. Afim de  exemplificar este item,  Divaldo Franco narra uma passagem da vida de Archibald Joseph Cronin, presente em seu livro autobiográfico, “Pelos caminhos da Minha vida”, escrito em 1952. Certa feita, quando estava na Itália, Cronin conheceu dois garotos, entre 10 e 12 anos, que vendiam mercadorias na rua, as quais o escritor escocês comprou, tornando-se conhecidos dos meninos. Estes, pertencentes a uma família dantes abastada, tornaram-se órfãos de guerra e recusaram-se a pedir esmolas, preferindo trabalhar. Aos domingos, pontualmente, iam visitar a irmã adoentada numa clínica de ortopedia traumatológica e trabalhavam para pagar semanalmente o tratamento desta, mostrando assim, um exemplo de família. Essas crianças não tinham pais encarnados, mas ao cuidar uns dos outros, constituíam verdadeira família.

Divaldo conta-nos ainda uma passagem de sua vida em que, andando pelas ruas de salvador, viu um  homem  desconhecido desmaiar.  Visando socorrer aquele transeunte, chamou um táxi para levá-lo a uma clínica de saúde.  Correndo até a recepção do hospital, a recepcionista aconselhou-o a não se envolver com aquele homem necessitado de auxílio, mas que não era de sua família biológica. Porém, com a insistência de Divaldo em auxiliar, o diretor do hospital intervém e presta os primeiros socorros ao homem ainda anônimo.
Já com o paciente fora de perigo, o diretor convida Divaldo para ir até a sua sala e lhe conta a história: sua mãe era descendente de alemães e seus pais vieram para o Brasil após a segunda guerra mundial. Dois anos depois seu pai morreu e sua mãe, que não falava o idioma português e que estava tendo dificuldades de adaptação em Salvador,  foi lavar roupas às famílias ricas.  Já na juventude, disse à sua mãe que queria ser médico e ela não mediu esforços para que ele pudesse estudar.  Na semana da formatura, a mãe chamou-lhe,  e ele,  por sua vez,  encontrou-a morrendo, vítima de tuberculose. E, num diálogo comovedor, a mãe falou-lhe sobre não poder ir à formatura, mesmo querendo estar presente. Por causa de episódio, tornou-se tisiologista.
Divaldo Franco, encerra sua palestra dirigindo-se aos ouvintes, agradecendo-os  de maneira comovedora e dizendo que esses integram a sua família universal e espiritual.

(Recebido em email de Jorge Moehlecke) 

(Recebido em email de Jorge Moehlecke) 

Divaldo Franco - 35° Congresso Espírita do Estado de Goiás - Goiânia

03 e 04 de março 2019

Texto: Djair de Souza Ribeiro,  Fotos: Edgar Patrocínio

Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?
Uma vez mais o Centro de Convenções de Goiânia foi escolhido pela Federação Espírita do Estado de Goiás (FEEGO) para a realização do 35º Congresso Espírita do Estado de Goiás com o tema Família, Vida e Paz.
Na manhã do dia 03 de março no Teatro Lago Azul e ainda na tarde do dia 04 de março nas dependências do Teatro Rio Vermelho, Divaldo Franco desenvolveu o tema “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”.
A presente síntese abarca ambas as conferências.
Divaldo inicia referindo-se ao criminoso mais famoso da história: Alphonse Gabriel mais conhecido mundialmente como "Al" Capone (1899 - 1947). Esse gângster ítalo-americano liderou um grupo criminoso dedicado ao contrabando e venda de bebidas entre outras atividades ilegais, durante a Lei Seca que vigorou nos Estados Unidos nas décadas de 1920 e 1930 do Século XX.
Sua fama ficou patente num crime bárbaro pelo qual sete (7) pessoas foram cruelmente assassinadas e que passou à história como o Massacre do Dia de São Valentim ou Massacre do Dia dos Namorados, pois foi cometido no dia 14 de fevereiro de 1.929 data consagrada às comemorações do Dia dos Namorados nos EUA.
Al Capone tinha um advogado – famoso por livrar o gângster com facilidade da cadeia - apelidado de “Easy Eddie” (1893 - 1939), um excelente profissional cuja maior habilidade estava em manobrar no cipoal de leis americanas para manter seu cliente - Al Capone - distante da prisão.
Em retribuição o gângster mafioso, pagava regiamente seu advogado, fornecendo-lhe uma mansão que ocupava um quarteirão inteiro em Chicago.
Indiferente às atrocidades praticadas por seu cliente, o advogado e sua família desfrutavam de uma situação econômica confortável, além de pertencerem aos quadros sociais mais destacados da sociedade local.
“Easy Eddie” providenciava tudo quanto o dinheiro pudesse adquirir ao seu filho, inclusive as melhores escolas.
Impossibilitado de dar bons exemplos, o advogado – paradoxalmente - sempre reiterava ao filho a importância dos bons valores morais, enfatizando as ações corretas e as incorretas. O advogado do mais cruel assassino buscava com seu empenho tornar o filho melhor do que ele fora.
Seja por ter-se cansado de ver as atrocidades à sua volta, seja pela voz da consciência ou ainda como um legado de bom exemplo de conduta moral ao filho, “Easy Eddie” tomou uma decisão difícil na busca por corrigir as injustiças de que havia participado como advogado de Al Capone.
Procurou as autoridades federais contando-lhes a verdade sobre seu cliente na tentativa de limpar seu nome enlameado, permitindo ao filho usar com orgulho o nome familiar.
No dia do julgamento o advogado – mesmo ciente de que seria executado por esse gesto – testemunhou contra o ex-patrão, condenado a onze (11) anos na prisão federal de Alcatraz pelo crime de sonegação do Imposto de Renda.
Passado algum tempo desde o testemunho no Tribunal, “Easy Eddie” foi morto a tiros enquanto dirigia pelas ruas de Chicago. Levado, anda com vida, ao Hospital local o advogado sabia que morreria, porém aos olhos dele, ele tinha dado ao filho o maior exemplo que poderia oferecer, mesmo diante do maior preço que poderia pagar: a própria vida.
A polícia recolheu em seus bolsos um rosário com crucifixo e um recorte de uma revista com um pensamento que dizia:
“O relógio da vida recebe corda apenas uma vez e nenhum homem tem o poder de decidir quando os ponteiros pararão, se mais cedo ou mais tarde”.
“Agora é o único tempo que você possui”.
“Viva, ame e trabalhe com vontade”.
“Não ponha nenhuma esperança no tempo, pois o relógio pode parar a qualquer momento”.
Divaldo faz uma breve pausa para em seguida referir-se novamente a Chicago de Al Capone que além do gângster, foi, também, a cidade que ofereceu aos EUA um dos seus maiores heróis durante a Segunda Grande Guerra Mundial: O tenente-comandante Edward Henry O'Hare (1914 - 1943) piloto da Marinha dos Estados Unidos, que em 20 de fevereiro de 1942 tornou-se o primeiro ás voador da Marinha que atacou - mesmo sozinho e tendo uma quantidade limitada de munição - nove (9) aviões bombardeios japoneses que se dirigiam para atacar o porta-aviões americano “USS Lexington”. Somente era considerado um “ás” o piloto que abatesse em uma única batalha mais do que cinco (5) aviões inimigos.
Audaciosamente, sem se preocupar com sua própria segurança, ele abateu ou danificou muitos das aeronaves inimigas, sendo, por essa façanha, o primeiro piloto naval a ser laureado com a Medalha de Honra na Segunda Guerra Mundial. A imprensa rapidamente apelidou de “Butch O’Hare” (algo como “O’Hare o Exterminador”, em português).
No ano seguinte “Butch O’Hare” morreu – aos vinte e nove (29) anos - em combate aéreo.
A Chicago de Al Capone e dos crimes bárbaros do passado, não permitiu que a memória de “Butch O’Hare” o herói da Segunda Guerra desaparecesse, e hoje, o Aeroporto da cidade, um dos mais movimentados e importantes dos EUA e do Mundo, tem o nome de Edward Henry O'Hare em tributo à coragem deste grande homem.
Após a exposição dessas duas (2) narrativas Divaldo conclui:
Ambas as histórias têm algo em comum e não se deve ao fato de envolverem a cidade de Chicago. O ponto de atração entre elas é que “Butch O’Hare”, o herói da Guerra, era o filho de “Easy Eddie” o advogado de Al Capone cujo exemplo de sacrifício em favor do que era moralmente correto acabou por permear o comportamento e a índole do filho.
* * *
Allan Kardec indagou aos Espíritos Superiores (questão 208 de O Livro dos Espíritos):
Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste?
E a resposta dos Tarefeiros do Amor do Cristo não deixa margem a qualquer dúvida sobre a responsabilidade dos pais:
 “Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho.”
* * *
Com acurado conhecimento em torno do Evangelho de Jesus associado aos fatos históricos, sociais e culturais da Palestina de Jesus, Divaldo vai enumerando diversas passagens do Mestre desde a constituição de Sua família, passando pelos fatos ligados à sua infância, adolescência e juventude até culminar com o início da Sua missão de amor.
O Evangelista Marcos (Capítulo 3:20 a 35) nos relata de que estando Jesus em Cafarnaum, Seus parentes (Sua mãe Maria e os filhos de José com a esposa de seu primeiro matrimônio e já falecida), residentes em Nazaré – cerca de 30 km de Cafarnaum - vieram ter com Jesus, pois que Seus Irmãos o consideravam "fora de si" e foram depressa "para segurá-lo", a fim de impedir que Seu entusiasmo e Sua exaltação mística lhes prejudicassem diante das autoridades.
Quando da chegada dos parentes, Jesus é informado da presença deles, ao que o Mestre de Amor questiona ao interlocutor:
— Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?
A pergunta, aparentemente desrespeitosa para com Sua mãe, vem demonstrar que Jesus, em Sua missão, não está preso pelos laços consanguíneos. A família espiritual é muito mais sólida, pois os vínculos são espirituais e não materiais, razão pela qual Jesus não pode subordinar-se às exigências do parentesco terreno, mesmo em se tratando de Sua mãe.
Com o olhar benévolo sobre os que O cercavam, Jesus lança mais um ensinamento superior de Sua doutrina inigualável: a de que o ideal é superior aos laços de sangue.
Devemos nos lembrar de que os irmãos de Jesus não partilhavam dos Seus ideais, sendo mais inclinados à postura dos inimigos do Mestre. Com respeito a Sua mãe, não há como duvidar de sua ternura e extremada dedicação, contudo, apesar de seu acendrado amor maternal ela não fazia ideia muito precisa da missão do filho.
Após essa abordagem rica e esclarecedora Divaldo conclui sua abordagem alertando:
O grupo familiar é conquista nobre do processo de desenvolvimento humano.
A família, por essa razão, tornou-se a célula mater. do organismo social onde se desenvolvem os sentimentos, a inteligência, e o ser espiritual desperta para as realizações nobres da vida.
Por isso, toda vez que a família se desestrutura a sociedade cambaleia, a cultura degenera, a civilização se corrompe.
Famílias há que contêm integrantes que odeiam a outro ou mutuamente entre si.
E para emoldurar esse pensamento, Divaldo narra a história de beligerância – aparentemente gratuita – que prevalecia entre uma irmã sua e o pai de ambos.
O ódio entre pai e filha era recíproco a ponto de ambos alimentarem o desejo de eliminar ao outro sem que fosse detectada a causa de tanta animosidade. Essa situação – inexplicável - perdurou por longos anos até que Divaldo em um desdobramento espiritual logrou identificar a causa que remontava a encarnações transatas do pai e da irmã.
Em épocas passadas – o agora pai – era um explorador de mulheres no comércio das sensações inferiores e entre as mulheres que ali estavam, havia uma que era sua preferida e amante – aquela que pelas leis do amor de Deus nascera-lhe agora como filha para transmutar as emoções asselvajadas e sublimar as energias instintivas em o verdadeiro amor.
Descoberta a causa, Divaldo envidou todos os esforços para equacionar as dificuldades entre um e outro. Quando o pai aproximava-se da desencarnação Divaldo instou para a irmã dar ao pai – por ela odiado – o perdão no leito de morte que aos dois felicitaria removendo o ódio e as dificuldades. Ambos – pai e filha – abraçaram-se demoradamente perdoando-se mutuamente. Ele retorna ao Plano Espiritual compreendendo a grandeza e sabedoria das Leis Divinas e ela liberando-se de injunções e constrições que lhe permitiram redirecionar os passos alterando a direção existencial.
Após essa narrativa que a todos calou profundamente, Divaldo segue conceituando e nos trazendo sugestões e orientações na condução cristã do núcleo familiar, pois a família, sem qualquer dúvida, é uma fortaleza segura para a criatura resguardar-se das agressões do mundo exterior, adquirindo os valiosos e indispensáveis recursos do amadurecimento psicológico, do conhecimento, da experiência para uma jornada feliz na sociedade.
A família está emitindo um vigoroso pedido de socorro à sociedade em geral. Esse grito por ajuda alcança as mentes e os corações, convidando à reflexão e á ação imediata no dever e no bem, assim como à seriedade no que diz respeito aos compromissos domésticos, à renúncia em benefício dos filhos e ao respeito recíproco dos cônjuges, que se comprometeram a educar os filhos a eles emprestados por Deus.
Nem sempre compreendida, especialmente nos dias modernos, a família permanece como educandário de elevado significado para a formação da personalidade e desenvolvimento afetivo, por meio dos quais se torna possível ao Espírito encarnado obter a felicidade.
A conduta dos pais deve priorizar a educação – aquela que forma caráter e estabelece valores morais e éticos – e a exemplificação, pois educar é oferecer exemplos, posto que o educando copia com mais facilidade as lições que lhe são apresentadas, do que as teorias com as quais ele é informado.
Se os exemplos no lar são repletos de amor, de respeito e de paciência, os filhos tornam-se afáveis, dignos e gentis, excetuando-se, evidentemente, os filhos portadores de transtornos de conduta.
A progenitura demanda sérios compromissos e responsabilidades que não podem ser abdicadas sem consequências.
Na família, o amor nobre e sem sentimentalismo exagerado torna-se indispensável ao êxito da proposta educativa. É através da sua doação, que ele se multiplica e mais se desenvolve, tornando-se imbatível.
A verdadeira e real educação necessita resgatar os valores ético-morais que foram relegados a plano secundário, elaborando a conscientização da responsabilidade do ser perante si mesmo, o seu próximo e a vida, na qual se encontra sem possibilidade de fuga.
É importante recurso, contribuindo, para o equilíbrio de todos os membros que constituem a família o estudo do Evangelho de Jesus no lar. Reunindo-se semanalmente os familiares para conversação salutar e esclarecimento de dificuldades nos relacionamentos, configura-se saudável oportunidade para o bom desenvolvimento ético-moral, atenuando incompreensões e corrigindo dificuldades. A participação no culto do Evangelho no Lar não deve ser compulsória, mas estimulada, incentivada.
Os deveres dos pais para com seus filhos estão gravados na consciência, cabendo-lhes, por decorrência, a sublime tarefa de educa-los, deveres esses que não podem ser adiados sob pena de lamentáveis consequências.

“A criança é argila moldável, aguardando as mãos do diligente oleiro que lhe dará forma e conteúdo. Esse oleiro hábil é o educador, que deve modelar o ser social digno, de forma que possa construir a sociedade harmônica. A paz do mundo depende da educação da infância”.
Joanna de Ângelis em o livro Constelação Familiar, capítulo 10 Educação e Paz na Família

(Recebido em email de Jorge Moehlecke) 

Conferência Franco. 35º. Congresso Espírita de Goiás Goiânia

04 de março 2019

Texto: Djair de Souza Ribeiro,  Fotos: Edgar Patrocínio
Diante de uma plateia superior a 2.000 pessoas, Divaldo Franco recorre ao enorme cabedal de conhecimentos históricos de que é detentor e inicia sua conferência evocando os longínquos dias do início do Século XX.
Em 21 de novembro de 1918 o Palácio de Versalhes acolhia um número muito grande de representantes de vários países. Naquela data era assinado o Tratado de Versalhes que oficialmente colocava um ponto final na Guerra Mundial – conhecida na época como a Guerra das Guerras – e que devastou a Europa entre os anos de 1914 e 1918. Coroando o esforço para se evitar a ocorrência de uma nova guerra foi criada a Liga das Nações.
Todos respiraram aliviados e repletos de esperanças. Nunca mais haveria Guerra!
Em 01 de setembro de 1939, as tropas nazistas invadem a Polônia e tem início a Segunda Guerra Mundial e que duraria até 05 de setembro de 1945.
Em sua época, preocupado com essa beligerância ancestral da criatura humana Allan Kardec indaga aos Tarefeiros do Amor do Cristo na questão 742 de O Livro dos Espíritos:
Que é o que impele o homem à guerra?
Ao que os Representantes do Cristo responderam:
“Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem — o do mais forte”.
Diante da resposta Kardec volta a indagar na questão 744:
Que objetivou a Providência, tornando necessária a guerra?
E a resposta da Espiritualidade Superior foi:
“A liberdade e o progresso.”
O século XX, marcado pelas duas (2) grandes guerras que ceifaram mais de 100 milhões de vida torna-se um campo fértil para as filosofias pessimistas e materialistas cujo expoente é Jean Paul Satre(1905-1980) para o qual Deus não existe e, portanto, não há, também, a natureza humana, posto que não há Deus para concebê-la e assim a única natureza do ser humano é a biológica, ou seja, a sobrevivência. Não existindo Deus não existem igualmente “prontos” valores ou leis morais que possam nortear o ser. Estamos sós e sem necessidade de justificativas para os nossos atos e comportamentos.
Emoldurando esse pensamento Divaldo narra a história de Meursault, personagem do livro O Estrangeiro de Albert Camus – auto proclamado discípulo de Satre - que retrata bem o comportamento existencialista a e a frieza com que age diante das situações. Que incapaz de sentir qualquer tipo de emoção comete um crime pelo qual é condenado à guilhotina. Somente nos instantes finais de sua vida o protagonista deixa se tocar pelos sentimentos e emoções. Para ele, porém, era tarde demais.
As correntes do pensamento Existencialista advogam a morte dos ideais, posto que não há razão para se viver com padrões morais tendo comportamento ético se tudo pode acabar repentinamente com o apertar de um botão deflagrando a Guerra Nuclear e extinguindo a vida planetária.
Faz 280 anos aproximadamente que um pensador inglês - Thomas Heart - anunciava: "O ser humano perdeu o endereço de Deus".
Na verdade, enfatiza Divaldo ampliando o pensamento, eu diria que o ser humano perdeu igualmente o endereço de si mesmo, fato que o leva a viver exclusivamente para atender questões imediatas empurrando-o para o individualismo, o sexualismo e o consumismo esquecendo-se do AMOR.
Para que a paz estabeleça-se é necessário que a criatura preencha sua existência com uma meta, um sentido psicológico profundo Ilustrando essa consideração, Divaldo cita o exemplo de vida de Viktor E. Frankl, autor dos livros Em Busca de Sentido e Um Sentido para a Vida. Sobrevivente dos campos de extermínios nazista adotou o firme propósito – transformado em objetivo existencial – de sobreviver para poder denunciar ao mundo as atrocidades sofridas durante aquele período. Sintetizando sua forma de encarar a vida o célebre psiquiatra afirma: “Se percebemos que a vida realmente tem um sentido, percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser um ser humano, é trabalhar por algo além de si mesmo. A vida para ser digna tem que ter um objetivo; Quem tem um porquê, enfrenta qualquer como”.
Na mesma linha de pensamento o pai da Psicanálise Analítica, Carl Gustav Jung considerava: “É necessário que cada um de nós tenha, na existência, uma meta, a fim de que essa existência dê-nos a maturidade psicológica. O indivíduo não realiza o sentido da sua vida se não conseguir colocar o seu Eu a serviço de uma ordem Espiritual. Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.
A partir desses pensamentos, Divaldo delineia os dias graves da atualidade da sociedade humana a qual, concentra todos os esforços e energias quase que exclusivamente aos objetivos imediatistas em prejuízo daqueles transcendentais. A libertinagem dos costumes morais – travestidas de liberdade – empurra a sociedade à conquista do nada existencial em prejuízo dos valores transcendentais.
A humanidade empanturrada de tecnologia experimenta, porém, sofrimentos emocionais e morais a se refletir nas imensas multidões de depressivos.
O resultado dessa opção vem se refletindo nas estatísticas oficiais e a OMS espera já para o ano de 2025 que as mortes provocadas pelos efeitos da Depressão ultrapassarão os óbitos de câncer e cardiopatias, que hoje lideram as causas de morte. Os efeitos da Depressão levarão a um aumento estarrecedor dos suicídios, hoje já tão elevados.
O mecanismo que acarreta esse desfecho trágico é insidioso e gradativo: A tristeza somatiza-se em Angústia. A angústia leva à Perda do Sentido existencial, que por sua vez gera a Perda de Afetividade que vai levar à Depressão.
A depressão gera o Vazio Existencial que leva, por final, ao desejo de morrer.
Não se trata de que desejamos a morte. Na realidade aspiramos a “libertação” da terrível Angústia e do Nada Interior.
Foi somente a partir do Século XX que a Psiquiatria passou a melhor entender a Depressão e classificando-a como Unipolar (tristeza, desinteresse pela vida) e Bipolar (alternando a tristeza com a euforia).
A busca de um sentido para a vida, passa pelo despertar da consciência a exigir um grande e constante esforço, preço que muitas vezes não estamos dispostos a pagar. Para “atender” ao convite da transformação, muitas vezes em um mecanismo de fuga passamos a acompanhar este ou aquele “médium” ou outro Guia. Além de ser mais fácil e cômodo, meu Ego mostra que está fazendo algo para se transformar quando na realidade não passa – na grande maioria das vezes – de uma atitude escapista, pois caso ocorra algo errado eu posso jogar a culpa no “guru”.
O que fazer quando esse “Guru” desaparecer ou cuja pregação for desmentida pelos seus reais atos (os falsos profetas)?
A melhor escolha e a mais correta é a de fazermos as nossas próprias escolhas assumindo a responsabilidade por elas.
E para tanto, Divaldo, agora, apresenta-nos a medicação: A Doutrina Espírita – nos seus aspectos religiosos, filosóficos e científicos - é capaz de preencher esse vazio existencial, por nos oferecer metas que concorrem para o real sentido da vida: a evolução intelecto-moral. A de sermos hoje, melhores do que ontem e amanhã melhores do que hoje.
O Espiritismo vem despertar a nossa consciência para a necessidade de encontrarmos um sentido psicológico para a vida deixando a fase do primarismo representado pelos instintos e as sensações.
A solução para essas crises e o retorno ao estado de equilíbrio, individual e social, estariam na vivência da proposta terapêutica do Evangelho de Jesus, na sua pureza, conforme aclarado pelo Espiritismo. O sentido da vida, conforme nos ensinou Jesus, é AMAR e a medicação que vem nos auxiliar a substituir o vazio existencial é solidariedade, servir.
Divaldo encerra a palestra colocando-se respeitosamente em pé, apesar das fortes dores que o acometem e emocionando-nos a todos luariza nossa noite com o Poema da Gratidão.

“É fundamental, à criatura humana, em sua vilegiatura carnal, encontrar o sentido existencial. A perda desse objetivo condu-la ao desespero ou à indiferença por tudo quanto lhe acontece, empurrando-a pela via da morte emocional, sem que tenha estímulos para as lutas que se apresentam, convidando-a ao crescimento e à felicidade”. Joanna de Ângelis.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Divaldo Franco no 12º Aniversário do CEJA-Barra Rio de Janeiro, RJ

Fotos: Luismar Ornelas de Lima
Reportagem Luismar Ornelas de Lima e Maria Claudia Rodrigues

O Centro Espírita Joanna de Ângelis - CEJA-Barra (Avenida Gilberto Amado, 311, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro) dentro das comemorações de seu 12º aniversário, recebeu, na tarde deste domingo, dia 3 de fevereiro de 2019, seu presidente de honra e co-fundador, Divaldo Pereira Franco, que proferiu conferência sobre o tema "Vida: Desafios e Soluções", para um público em torno de 1000 pessoas, distribuídas pelo auditório e as diversas salas da instituição. 
Mais um dia memorável, com extensa fila formada desde a manhã do dia, aguardando o grande momento. 
O evento começou com o mestre de cerimônias, Nelson Tavares, agradecendo a presença de diversos representantes do movimento espírita, passando para a musicista Elenise Bandeira, que brindou os convidados com algumas belas músicas. 
Em seguida, Iraci Campos Noronha, presidente do CEJA-Barra, agradeceu a presença de todos, falando um pouco da Obra Social Mãos Unidas, passando a palavra ao orador baiano. 
Divaldo Franco, após fazer uma digressão sobre as pesquisas científicas que têm sido feitas, ao logo do tempo, visando esclarecer o milagre da vida, assunto por demais complexo, objeto da preocupação de muitos. 
A grande problemática da vida é a própria vida, disse Divaldo. 
Por meio de estudos do corpo humano, o cérebro adquire dignidade e compreende-se que o amor não vem do coração. O indivíduo é o cérebro de que se utiliza para viver. 
O orador ressalta: “a mim, me fascina. Como é que pode, essas ondas, que são um pouco de massa e um pouco de energia, transformarem-se em emoções”?  
O envelhecimento mental e a importância de oferecer  estímulos, dar novos hábitos ao cérebro.
O grande desafio são os nossos conflitos existenciais, que surgem das nossas aspirações.  
Divaldo discorreu, ainda, sobre as irmãs Fox, suas experiências, nos Estados Unidos, com os ruídos estranhos em sua casa. 
Depois, lembrando a França, falou sobre Allan Kardec, desde as mesas girantes às comunicações com diversos espíritos.  
Após um pequeno intervalo, que aproveitou para autografar, o Semeador de Estrelas, ensinou: bem aventurado quem chega à velhice. Se temos uma conscientização de nós mesmos, se aprendemos a conviver, isso é muito positivo. A dor é o prêmio que Deus oferece aos seus eleitos. 
Mas a vida espiritual é imortal! Vale a pena investir nela. A transição para o mundo de regeneração já começou. As calamidades sempre existiram. A ambição da posse nos impede de fazermos o que estava programado. Então nos tornamos criminosos ou co-criminosos com os fenômenos naturais. Mas com o tempo,  vamos nos observando, mudando de atitude e enfim melhorando”. 
O grande desafio da vida é o dia a dia.  
Divaldo contou algumas situações particulares, dizendo  que escolheu viver uma vida otimista, voltada ao seu dia a dia.  
Todos nós temos um vazio existencial; são lembranças transatas. Não carreguemos mágoas. A Humanidade evoluirá através da educação!  
Com a prece de final feita pelo orador, Divaldo encerrou o encontro. 
Parabéns aos dirigentes, trabalhadores, frequentadores, por mais um aniversário, desejando que o CEJA-Barra, continue a ser este farol de luz, a serviço da espiritualidade maior, espalhando amor e caridade junto a todos aqueles que o procuram e aos que são assistidos pela instituição, através da Obra Social Mãos Unidas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Registro 4º. Congresso Espírita de Uberlândia

Fotos: Edgar Patrocínio; Texto: Djair Ribeiro
Entre os dias 25 e 27 de janeiro de 2019, o Center Convention Uberlândia, MG, acolheu em suas amplas e confortáveis instalações as cerca de 3500 participantes do 4º Congresso Espírita de Uberlândia com o tema principal: JESUS, CAMINHO PARA A SUA PAZ E A PAZ NO MUNDO. Esse evento contou com a Produção da Web Rádio Fraternidade, ocasião em que comemorou seu 10º Aniversário.
No dia 28 de janeiro – data do encerramento do Congresso – Divaldo Franco e Dr. Juan Danilo iniciaram bem cedo seus compromissos de divulgação. A Rádio Fraternidade acolheu Divaldo Franco e o Dr. Juan Danilo para uma entrevista rica em informações e serenas mensagens de esperança e renovação. Logo em seguida ambos participaram de um encontro com os jovens, ocasião em que puderam falar à juventude sobre Francisco de Assis, o Jovem e a Missão. Posteriormente ambos revezarem-se para responder a uma grande quantidade de questões formuladas pelos jovens.
Nesses três (3) dias revezaram-se à tribuna, quinze (15) renomados divulgadores da Doutrina Espírita dentre os quais destacamos a participação do Dr. Juan Danilo que brindou a todos com a encantadora palestra “A Carta Magna da Paz”. Na mesma data – encerrando o evento – Divaldo ocupou a tribuna para discorrer sobre o tema do Congresso.
Dando início à conferência espírita, Divaldo cita dados envolvendo as diversas guerras que assolaram a Humanidade: Em 3500 anos de registros históricos, o mundo só teve 268 anos sem guerras. Somente nas guerras do século XX morreram cerca de 100.000.000 de pessoas.
Divaldo formula uma pergunta retórica: Qual a razão de tanta agressividade que vem acompanhando a humanidade desde seu início? Diante do Universo infinito como pode o ser humano viver preso à sua pequenez? Como pode a humanidade que vem descobrindo as maravilhas do Universo, ainda deixar preponderar a agressividade em seu comportamento?
Divaldo passa a abordar as conquistas da Ciência que permite ao ser humano deslumbrar-se com as luzes do conhecimento e dos segredos da vida, da matéria e do Universo, mas nos perdemos nas Sombras da ignorância e da agressividade.
Divaldo realiza em seguida a uma sucinta incursão pelas fases da evolução antropossociopsicológica da humanidade revelando que alimentar-se, abrigar-se e reproduzir-se compunham os instintos básicos que moviam as ações humanas.
Surge, então, a primeira emoção: o Medo que, por sua vez, gera a suspeita, a desconfiança, a ansiedade e a timidez. Logo em seguida surge a segunda emoção: a Ira a se desdobrar em raiva, ódio, o desejo de vingança.
Preocupado com a belicosidade humana, Allan Kardec – através da questão 742 de O Livro dos Espíritos – indaga: Que é o que impele o homem à guerra?  Ao que os Espíritos Superiores responderam: “Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem — o do mais forte”.
Para emoldurar o tema Divaldo se utiliza da narrativa de uma jovem armênia e cuja história foi retratada em o livro Perdão Radical de autoria de Brian Zahnd.
Entre os anos de 1915 a 1917 ocorreu a guerra entre turcos e armênios. Como em toda a guerra a crueldade é soberana. A Armênia invadida pelos turcos viu seu povo ser dizimado em um genocídio.
Não foi diferente para aquela família modesta. Os soldados turcos Invadiram a casa e de imediato mataram os pais de duas jovens.
A mais moça, quase uma criança, foi estuprada até a morte, a outra, um pouco mais velha, foi transformada em escrava sexual do comandante daquela tropa.
Após fugir dessa situação a jovem refugiou-se em outro país e estudou até se formar enfermeira.
Muitos anos se passaram até que deu entrada no Hospital onde ela trabalhava o antigo comandante das tropas que havia destroçado suas esperanças.
Cristã, aplicou-se a cuidar do quase moribundo até a sua recuperação total.
Desejando agradecer à jovem que tanto havia se dedicado a lhe devolver a saúde, descobriu toda a verdade.
E envergonhado de suas ações pretéritas ousou perguntar à jovem, qual a razão de tê-lo perdoado, quando o normal teria sido um comportamento oposto.
A jovem olhou profundamente nos olhos do algoz de sua felicidade e lhe respondeu:
— Teus crimes contra mim, minha família e meu povo foi por sermos cristãos. Perdoo-te porque Jesus nos ensinou: “Aquele que crê em mim, faz também as obras que faço”.
Após um breve silêncio, Divaldo formula uma questão ao público presente:
— E você, perdoaria?
Relembrando as fases da evolução da criatura humana, Divaldo considera que sucedendo às duas (2) iniciais emoções – o medo e a ira – desponta a terceira emoção: o Amor, sentimento do qual Jesus é o grande expoente por divulga-lo e principalmente vivenciá-lo.
O amor é força poderosa que transforma tudo e a todos que se deixam ser por ele tocado. Nem mesmo a beligerância, a belicosidade e a violência tem capacidade de diminuir-lhe o poder.
Perdoar não é esquecer, pois o esquecimento depende da memória física. Perdoar no conceito amplo ensinado por Jesus é não devolver o mal recebido e nem mesmo desejar a infelicidade daqueles que nos prejudicam e infelicitam.
Perdoar não significa estar de acordo com o erro. Todo crime merece repúdio. O criminoso, porém, merece compaixão.
O perdão, antes teológico, adquiriu a condição de terapia, por nos devolver a harmonia pacificando nossos corações e sentimentos.
A crise que se abate toda a Humanidade é, na realidade, crise INDIVIDUAL que se propaga envolvendo toda a Sociedade, que centraliza seus objetivos existenciais no individualismo, consumismo e na busca do prazer, por confundi-lo com a felicidade. A Sociedade carece de objetivos existenciais profundos e transcendentais, preferindo permanecer na superfície das ilusões que passam e se esgotam em si mesmas, levando o ser à perda do objetivo existencial resultando no inconformismo, na depressão, na revolta e, por conseguinte produzindo a violência.
Busquemos, com todas as forças do nosso ser, alcançar a plenitude através do BEM, nunca pela força, pelo AMOR e não pelo ódio.
Divaldo encerrou a conferência sob ovação da imensa plateia. Enquanto suas considerações repercutiam nas mentes luarizadas com suas palavras, os exemplos da jovem armênia e o Poema da Gratidão fincavam profundamente suas raízes nos corações.
No ambiente saturado de doces vibrações que permeava a todos os presentes a voz de Divaldo Franco – convidado a formular a prece de enceramento dos trabalhos - foi se alterando suavemente e todos emocionados ouviram – pelo sentido de audição e também a repercutir na acústica da alma - a voz de Dr. Bezerra de Menezes a se manifestar por intermédio da mediunidade psicofônica de Divaldo em uma mensagem que nos encoraja a atender ao convite formulado pelo Espirito de Verdade de que nos amassemos e nos instruíssemos.
Conclamando a todos que fossem e pregassem o Evangelho, rogou a Jesus que nos ajudasse a escalar a montanha do nosso aperfeiçoamento, sublimando o Ego que ainda nos prende ao passado de equívocos e que sustenta as incontáveis e seculares imperfeições que nos pejam na Consciência aguardando a nossa atitude de transformá-las.
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Jesus  (João 14:27).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Divaldo Franco em Salvador Movimento Você e a Paz

19 de dezembro de 2018
O Movimento Você e a Paz idealizado por Divaldo Pereira Franco, Embaixador da Paz no Mundo, alcançou a sua culminância em 19 de dezembro de 2018, encerrando a sua 21ª edição, na Praça Dois de Julho, no Campo Grande, na Capital baiana. A data de 19 de dezembro é consagrada, na cidade de Salvador, para a promoção e comemoração da paz, divulgando, nesta data oficial o projeto da não-violência.
Como sói acontecer, a Equipe de Eventos do Centro Espírita Caminho da Redenção/Mansão do Caminho, liderada pela eficiente Telma Sarraf, Vice-Presidente do Centro Espírita Caminho da Redenção e da Mansão do Caminho, tem se superado a cada evento, sempre muito primorosos, ricos de detalhes, funcionalidade e acolhimento. Telma e equipe superam quaisquer obstáculos, em esforço hercúleo, para que na data e horários aprazados, o evento se realize com precisão. Essa é uma etapa que passa sem ser percebida, em qualquer evento, pois que, tudo funcionando harmonicamente, os espectadores pouco visualizam o esforço, as horas de trabalho dedicado, as preocupações e as horas indormidas de todos os envolvidos nesse grandioso projeto dedicado à promoção da paz. Não se pode deixar de considerar que há um ingente, exaustivo e produtivo trabalho realizado nos bastidores, construído no silêncio e no anonimato de inúmeros voluntários e funcionários sob a coordenação segura e agregadora de Telma Sarraf.
O Movimento Você e a Paz homenageia entidades, instituições e personalidade que se destacam ao promover o ser humano, seja no campo social, educacional ou de inserção no seio da sociedade. São lhes ofertando os Troféus Você e a Paz, marcando e enaltecendo o trabalho que realizam em prol de um mundo mais pacífico e justo. Este ano foram destacadas quatro personalidades físicas, três instituições e uma empresa.
Animando o público, Assis Diomar, e a seguir os jovens do Centro de Artes Integradas Ana Franco, da Mansão do Caminho, juntamente com Juan Danilo Rodríguez, formando o Coral Redenção, apresentaram-se, recolhendo muitos aplausos e manifestações de apoio. Nando Cordel, cantor e compositor, levantou o público ao se apresentar, embalando-o em suas belas canções. A Banda de Música do 2º Distrito Naval da Marinha do Brasil se apresentou magnificamente, estimulando o público, sendo amplamente aplaudida.
O evento foi filmado e televisionado pela TV Mansão do Caminho. A mestre de cerimônia foi a apresentadora Camila Marinho, da Rede Bahia de Televisão. Durante o dia, e antes do evento, Divaldo Franco concedeu várias entrevistas para diversos veículos de comunicação. A presença de diversas autoridades do Estado e da Prefeitura de Salvador, bem como de outras personalidades dos meios social, cultural, político e religioso, atesta o quanto é importante a realização de esforços em favor da paz. No público havia vários representantes vindos do Exterior e do Brasil, bem como diversas caravanas, de pelo menos seis Estados brasileiros. A Praça Dois de Julho ficou pequena para acolher um incalculável número de pessoas que somavam-se com os moradores do entorno, assistindo o brilhante evento de suas janelas e sacadas.
Os oradores destacados para se pronunciarem ressaltaram as condições necessárias para se construir uma paz duradoura, isto é, no interior de cada ser humano, que utilizando-se da razão e do sentimento, alcançarão o estado de paz e de harmonia, ainda ausentes nos pensamentos e ações de muitos. Deus deve habitar o coração de todos, tornando o cidadão em um homem de bem. O amor deve ser a tônica nas relações humanas, perdoando os que fazem o mal, estimulando-os ao automelhoramento. Asseveraram que a paz e a justiça devem andar juntas, em complementaridade, somando-se também. Jesus é referência, estimulando os indivíduos, pelo exemplo, a se tornarem promotores da paz, do amor, respeitando a diversidade de pensamentos. Diante do amor, da solidariedade, da caridade, todas as religiões caem, pois que acima delas está o amor, a paz, a plenitude, a harmonia de Jesus.
Divaldo Franco, idealizador de grandioso programa de paz, disse que o amor é uma força ciclópica, onde o pessimismo e a angústia cedem lugar para a esperança e a alegria de viver. Deposita inteira confiança no ser humano, pois que é portadora de excepcionais condições e diversidades voltadas para a prática do bem, como propõe Jesus. A humanidade, e em particular os brasileiros, vive momentos singulares onde a violência sufoca a liberdade e a fraternidade, personalidades dão maus exemplos pelos seus envolvimentos em escândalos escabrosos. A violência é fruto do distanciamento da criatura de seu Criador.
Para enfatizar a necessidade de paz e de justiça, o Arauto do Evangelho discorreu sobre um conto do poeta e escritor libanês Gibran Khalil Gibran (1883-1931), narrando o seu encontro com o Emir, o mandatário maior do Líbano, em um julgamento. Khalil desejava saber como estava a justiça em seu amado pais, após estar afastado por muitos anos. Queria saber do senso de justiça, conhecer as dores e as verdades dos acusados.
O Emir, um tanto entediado, ordenou ao acusador que fizesse entrar o primeiro caso. Adentrou no grande salão de julgamento um homem acusado de matar um soldado do Emir, este, então, perguntou o motivo de tal crime. - Foi legítima defesa, disse o acusado. Foi esbofeteado, de imediato, na face e não pode continuar. O acusador afiançou que aquele homem, amarrado, era acusado de decepar com uma adaga a cabeça de um cobrador de impostos. Foi anunciado pelo acusador como sendo um homem sem respeito pelas autoridades e pelo próprio Emir, já que desafiava seus representantes. O Emir, encolerizado, ordenou que o homem tenha a sua cabeça decepada. Quem pela espada fere, por ela será ferido.
Uma mulher foi a próxima. É acusada de adultério, relatou o promotor. É uma mulher que foi tirada da miséria pelo marido, um homem nobre e rico, que a flagrou em adultério no jardim da própria casa. Descabelada, nada pode dizer em sua defesa. Rapidamente, sem mais, o Emir a condenou a lapidação e a desfilar nua pelas ruas da cidade, sendo de imediato arrastada para fora do salão e dali para as ruas, cumprindo a sentença.
O terceiro caso foi anunciado como sendo o de um velho homem que receberá trabalho num monastério cristão, e que para lá retornara, na calada da noite, para roubar um pote de ouro. Foi surpreendido pelos monges que o entregaram as autoridades. Assim que tentou pronunciar algo em sua defesa foi esbofeteado, tendo o nariz quebrado e a boca cortada. A sentença, proferida pelo impiedoso Emir, foi o enforcamento por ter praticado o ato hediondo de tentar roubar.
Khalil era poeta, e como tal, ficou chocado com a dureza dos corações que se apresentaram de forma tão vil naquele tribunal.
Ao cair da tarde, anoitecendo, com seu coração de poeta apertado, saiu para o campo dos condenados e não tardou a ouvir barulho de galhos e choro. Ao sair da penumbra viu uma jovem que segurava a cabeça do jovem decepado junto ao corpo e então quis saber como podia chorar por um assassino. Temendo ser entregue às autoridades, Khalil a tranquilizou, afirmando não gostar da forma como o Emir tratava o seu povo. Confiante, ela então narrou que aquele jovem adentrou-se em sua casa para proteger a ela e ao seu pai. - Como? Perguntou Khalil.
Os homens do Emir exigiram os impostos. Eram 90 partes para o reino e 10 para a família que arrendara as terras reais, todas do Emir. Como não tinham, o clima fora impróprio, o chefe ordenou que o pai fosse preso e que a propriedade fosse devolvida ao Emir. Quando entrei a sala, assim que ele me viu disse: “perdoarei as dívidas e levarei a filha como escrava”. Foi nesse momento que esse jovem, que eu nunca havia visto, adentrou para nos defender daquele horror, e para não ser morto, pegou uma adaga que ficava na parede e defendeu-se daquele funcionário vil. A jovem enterrou o decapitado e saiu, deixando lá o poeta, só.
O silêncio foi quebrado por choro e palavras de amor. O poeta, buscando aquele som, encontrou um homem a abraçar o corpo disforme e nu daquela mulher acusada de adultério. O homem gritou, ao avistar Khalil, que ele poderia denunciá-lo, mas não deixaria o corpo virginal daquela mulher exposto para os abutres.
- Mas ela era adúltera, falou Khalil. - Não! Ela não era, respondeu o jovem. Nós crescemos juntos e quando completei 18 anos, e ela 16, pedi ao seu pai que me concedesse sua mão, mas ele era avaro e desejava dinheiro. Então eu lhe disse para que a guardasse para mim, que eu viajaria o mundo para enriquecer e voltaria para casar-me com ela. Mas ele a vendeu a um homem rico com um harém. Eu subornei o guarda para vê-la, a encontrei diante de uma fonte a chorar e quando ela me viu, me falou: “por que demorou tanto para voltar?”
Perguntei se o casamento já estava consumado e ela me disse que não, mas que já havia uma data para a consumação. Então nos abraçamos, e choramos, e foi neste momento que o esposo de 70 anos adentrou, juntamente com os guardas, e não adiantou eu dizer que nada havia acontecido. Eu fugi e ela ficou, foi espancada, humilhada, lapidada. Então, afirmou o enamorado enlutado, nada vai me impedir de vesti-la com as folhas da natureza e enterrá-la. Khalil começou a ajudar, colhendo ramos das árvores para cobrir aquele corpo nu. Um manto foi jogado sobre o corpo e eles a enterraram.
Khalil se afastou, e novo barulho lhe chamou a atenção. Era uma velha, magérrima e miserável que cortava com os próprios dentes as cordas que seguravam o corpo morto, suspenso, do homem enforcado. Quando viu Khalil disse-lhe: - Nada podes fazer para me impedir de enterrar o meu esposo. - Mas ele roubou o ouro da igreja! - Não! Ele trabalhava para aqueles monges gordos e bêbados e recebia uma miséria, basta ver o nosso aspecto. Eram mesmo tristes figuras de farrapos humanos, dava para ver os ossos de seus corpos miseráveis.
- Nosso filho ficou doente de fome, continuou, então meu marido pediu aos monges o dinheiro para o remédio e eles negaram, riram e mandaram-no trabalhar mais. Nosso filho está morrendo, e ontem, quando o dia estava para amanhecer ele acordou com os olhos arregalados, e com um brilho estranho de desespero, me disse: “hoje trarei comida” e saiu em direção ao monastério, não era o pote de ouro que ele queria, mas sim um pouco do trigo que é guardado lá dentro. Khalil ajudou a mulher a enterrar seu marido e a viu sumir na escuridão após beijar a terra sobre o cadáver como se osculasse a testa do companheiro.
Naquele momento o poeta libanês chorou e orou a Deus, declarando sua dor em forma de poesia, escrevendo a respeito da justiça. Para haver paz é preciso equilíbrio, dignidade, que sonegados, geram violência de todo tipo. O Emir, após Khalil ter escrito sobre o senso de justiça no Líbano, tornou-o apátrida, seus livros foram queimados em praça pública.
Passaram-se os anos, e Gibran Khalil Gibran morreu. Seu país devolveu-lhe a condição de libanês, honrando-o, e seu funeral, no Líbano, teve mais de 600 mil libaneses acompanhando o cortejo. É pensando nesse drama de Khalil, que é o mesmo do Brasil, onde as incertezas campeiam em todos os poderes e a ausência de dignidade, de exemplo de justiça, de honradez, onde há a usurpação de alguns ante a dignidade de muitos, a paz desaparece e se torna revolta. A revolta, ante a injustiça, envilece o homem, tornando-o predador de seu semelhante.
Destacando uma frase de Madame Roland, Divaldo chamou a atenção para as condições em que se trata a liberdade. Oh, Liberdade, Oh, Liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome! Cada ser humano deve ter a consciência da dignidade, do respeito, do amor ao próximo, frisando que tudo isso independe de religião ou de qualquer outra crença ou filosofia. O Movimento Você e a Paz é um projeto que visa promover e divulgar a paz. A liberdade é o maior anseio da alma humana e que deve ser conquistada e mantida com amor, paciência, tolerância, sem o uso de revide.
Mahatma Gandhi afirmava que a paz não possui um caminho, a paz é o caminho. Asseverou o nobre orador pacifista que é necessário ter coragem para amar, para ser solidário e caridoso. A paz e o amor se entrecruzam. A paz é o único meio de ser feliz, para desfrutar a harmonia e ser fraternal. Com a declamação do Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues, o evento encaminhou-se para final, quando todos, irmanados cantaram a canção Paz pela Paz, de Nando Cordel, que do palco, animou os milhares de pazeadores ali presentes e milhares de outros através da internet. Os sentimentos estavam aflorados, os abraços, desejando paz duradoura, se multiplicaram em uma verdadeira onda de solidariedade e de fraternidade. Lembre-se: Você é a Paz!
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Divaldo Franco em Salvador Centro Espírita Caminho da Redenção

18 de dezembro de 2018
A atividade doutrinária de 18 de dezembro, no Centro Espírita Caminho da Redenção, foi apresentada em um formato especial, inusitado na instituição, foi uma inovação, uma experiência. Segundo Divaldo Franco, o evento foi denominado de “sarau natalino festivo”, guardando os objetivos de diminuir as aflições, as dores e tormentos, ao tempo em que apresenta orientações, contribuindo para o autoconhecimento, para o aprimoramento interior. O Semeador de Estrelas, assim definido por Suely Caldas Schubert, dividiu o palco com Juan Danilo Rodríguez, interpretando várias canções natalinas ao longo da narrativa.
O tema foi a Lenda do Quarto Rei Mago, magnificamente narrada pelo orador de escol com várias inserções musicais cantadas por Juan Danilo, voz melodiosa a embalar os corações, enternecendo-os.
Em data muito recuada no tempo, o jovem filho do Rei da Pérsia, herdeiro da coroa, residindo na cidade de Magi, era amante da astrologia, apreciando a beleza dos céus. Dizia o jovem ao seu pai que as estrelas falavam com os habitantes da Terra, bastando para tal, fazer silêncio. Elas se comunicam em uma linguagem atípica, apontam o destino e possuem uma linguagem recheada de beleza, afirmava o jovem príncipe.
Naquela época Artaban, o príncipe herdeiro, percebeu que a conjunção dos astros anunciava o alvorecer de uma nova era, confirmando com outros magos a preciosa informação estelar. Sonhador, disse ao pai que iria atender aquela formação das estrelas, pois que apontavam, tal um cometa, o local onde nasceria o enviado. O Rei, embora duvidoso, mas crente da chegada do ungido, aguardado a tempo no coração, diz ao filho, que se o encontrasse, dissesse que o Rei da Pérsia também o ama. Assim, acompanhado do escravo Orontes, o príncipe partiu em busca do destino.
Artaban trocou a sua fortuna por três pedras preciosas, diamante, rubi e pérola. Seriam os presentes oferecidos ao enviado dos céus, o seu Rei Solar. Seus três amigos, da Babilônia, do Egito e da Síria não foram alcançados pelo jovem persa, no local de encontro previamente combinado, na Judeia. Ali já não havia mais habitantes, as casas guardavam aspectos lúgubres, fantasmagóricos, havia cadáveres insepultos pelas ruas, aqui e ali se escutavam o choro de crianças ensanguentadas.
Adentrando-se em uma daquelas casas que abrigavam tristeza e dor, uma mãe em desespero roga-lhe socorro. Herodes havia mandado matar todos os filhos varões, com menos de dois anos de idade. O príncipe persa, solidário, ali permaneceu cuidando daquelas infelizes mulheres. Recebeu noticiais de que o esperado messias havia partido para o Egito. Antes de empreender viagem, deixou para a cidade arrasada e enlutada, uma de suas preciosas gemas, o diamante, para socorrê-los, partindo, célere, em busca do seu Rei.
Orontes, o escravo, se negou a seguir para o Egito, contudo, acompanhou-o, desta forma Artaban iniciou a marcha peregrinando pelas cidades egípcias famosas, encontrando-se com o Faraó, sempre perguntando por aquele Rei apontado pelas estrelas. Artaban havia de encontrá-lo. Depois de cinco anos de infrutíferas buscas, retorna às terras hebraicas. No retorno foi assaltado por salteadores insanos e perversos, roubaram-lhe as suas duas gemas, a esmeralda e a pérola. Os salteadores foram impiedosos, não lhe atenderam o pedido para continuar com a posse das pedras, mesmo informando que se tratava de oferendas ao Rei que estava chegando.
Identificou que aquela comunidade de salteadores era formada por leprosos. Sua líder se chamava Ruth, que para liberá-lo, poupando-lhe a vida, lhe propôs que utilizasse o seu conhecimento em curar, restituindo a vida a uma criança. Artaban manda seu escravo Orontes buscar as ervas e outras poções. Uma aflição tomou conta do coração do príncipe herdeiro da Pérsia, passou a instruir os leprosos, naquele deserto, no cultivo daquele solo, plantando um pomar. Fez-se amado. Continuava consultando os astros que apontavam, ora para Emaus, ora para Cafarnaum. Antes de encetar viagem, deixou com a comunidade de leprosos o precioso rubi, estimulando-os a levantarem-se orarem.
Muitos anos se passaram. Orontes não queria seguir viagem, mas desejava levar seu amo de volta à Pérsia, a fim de obter a sua liberdade. O mago persa lhe dá a liberdade, e, Orontes, tomado de surpresa, indagou como poderia utilizar a liberdade, estava velho, alquebrado e não poderia mais trabalhar. Para onde ir? Estava tão longe de seu solo persa. Viajaram à Jerusalém. Adentrando-na, soube que Herodes havia morrido há vinte anos. Perguntou-se: que idade teria o seu Rei? Sua peregrinação em busca do enviado divino já havia consumido vinte e oito anos.
Ouviu falar de um homem que curava, e que as multidões o acompanhavam. Soube que o Rei Solar estava em Cafarnaum. Lá chegando, não o encontrou, já havia partido. Continuava seguindo as indicações. Olhava a pérola, era para cingir a coroa real, joia formosa. Passaram-se mais dois anos de desencontros. Jerusalém abrira as suas portas para uma revolução. Ouviu dizer que um Rei tentava derrubar o representante do César. Soube que o seu Rei havia sido condenado à morte pelo crime de amar.
No dia seguinte acompanhou a multidão. Ali estava o seu Rei, ferido, agredido, vilipendiado, coroado de espinhos. Correu para o calvário, o monte da Caveira. O tempo tornou-se fúria e o tormento desceu aos corações amorosos. Pensou, a morte é a companheira do berço. Imaginou como teria sido aquela noite santa de natal. Agora, lá estava Ele entre as outras duas cruzes. Chegou a tempo de ouvir a voz melancólica e dorida: Pai, eles não sabem o que fazem. Perdoe-os!
Tomado de desespero, ensandecido, começou a rasgar suas vestes, ouvindo na concha acústica de seu coração, as doces palavras do Rabi dizendo-lhe que havia demorado em chegar, mas que havia razões para isto. Quando oferecestes uma gema aos sobreviventes do massacre, foi a mim que destes. Não te desespere! Quando limpastes os leprosos, foi a mim que curastes. Não chegastes tarde, a gema mais preciosa guardarei em meu coração. Agora, Artaban, vem comigo! Artaban cerrou os olhos e renasceu para a vida. Diz a lenda que ali foi encontrado mais um cadáver que Orontes velava e chorava silenciosamente.
O Quarto Rei Mago, desejando amar Jesus, transferiu o amor aos necessitados e desventurados da Terra, fazendo-nos recordar o Evangelho, destacando o Homem de Nazaré com tanta ternura. As gemas, o Espiritismo transformou-as na tríade: trabalho, solidariedade e tolerância. Fora da caridade não há salvação. É a pérola. Jesus é a caridade máxima, é o amor extremo. Sua mensagem vence os séculos, e apesar da grande noite que se abate sobre a humanidade, logo mais estaremos evocando, pela tradição, o Seu nascimento na noite de 24 para 25 de dezembro. Comemoremos o Natal, a noite feliz, a noite de paz, a noite do nascimento de Jesus.
Finalizando o riquíssimo trabalho, envolvente e sensibilizador, Divaldo Franco, assim se expressou na prece final: Oh Jesus! Evocando aquela noite inesquecível, os teus servidores infiéis, aqui estamos travestidos de ovelhas mansas para seguir o Teu rebanho. Oh Jesus! Possivelmente não Te encontraremos aqui, nem ali, porque Tu está dentro de nosso coração. É necessário que os camartelos do sofrimento arrebentem as arestas da nossa ignorância para que Tu, como diamante divino, possa brilhar em nossas almas para sempre. Nasce Jesus, renasça em nossa vida, hoje, amanhã, depois, porque, se contigo as dificuldades e desafios nos molestam, infelicitam, imagina Senhor, o que será de nós sem termos a Tua doce e segura companhia. É por isto que celebramos o Teu Natal. É por isso que Tu és a razão da nossa vida, cuja à vida Tua entregamos a nossa. Fica conosco Senhor e não nos abandones nunca. Em Teu nome, em nome de Deus, de Nossa Mãe Santíssima e dos Espíritos Nobres, encerramos a nossa reunião com votos de paz e alegria para todos. Muito obrigado.
Observação: A Lenda do Quarto Rei Mago está contida, em expressões mais aclaradas, na obra Divaldo Franco e o Jovem, uma compilação de Delcio Carvalho, da Editora Leal, capítulo 8 – (lenda persa, na cidade de Magi, história de Malba Tahan, ou Prof. Júlio César de Mello Souza (1895-1974).
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke