sexta-feira, 13 de março de 2020

Divaldo Franco no Paraná Ponta Grossa

12 de março de 2020
Retornando à encantadora cidade de Ponta Grossa pelo 66º ano consecutivo, Divaldo Franco foi entrevistado pela TV local, ocasião em que respondeu questões sobre o seu sentimento com relação à Ponta Grossa; o COVID-19 – o coronavírus-19 -; o grande desafio do ser humano, isto é, fazer a grande viagem para o seu interior, descobrindo-se; e a mensagem de Jesus, o modelo e guia para a humanidade, um exemplo de ética e de moral irretocável.
Após bela apresentação do Coral Vozes de Francisco, e perante os dirigentes espíritas locais, regionais e estadual, e cerca de 2.000 pessoas que lotaram o auditório do Clube Princesa dos Campos, Divaldo Franco asseverou que aqueles eram dias igualmente semelhantes aos atuais. Realizando um passeio pelos fatos marcantes da humanidade, ressaltou a necessidade de os conhecer para refletir sobre os fatos históricos a fim de melhor compreender a realidade dos dias atuais.
Passando ligeiramente pela fundação de Roma e a sua importância, destacou os seus dois triunviratos, com maiores detalhes em torno do período em que Caio Júlio Cesar militar romano conduziu a transformação da República Romana para o Império Romano, um gigante da sociedade patrícia, mas que mesmo assim foi traído por parte do Senado e morto a punhaladas. Júlio Cesar é sucedido pelo segundo triunvirato formado por Marco Antônio, Marco Emílio Lépido e Caio Júlio Cesar Otaviano Augusto, que encerra o triunvirato - após as mortes dos outros dois integrantes - restabelecendo a República Romana e governando com reconhecidos valores morais buscando, dessa forma, reparar os equívocos e excessos perpetrados por Júlio Cesar.
Foi um período de muita paz e progresso para os romanos. Sabiamente Otaviano Augusto compreendera que um povo só é feliz quando está em paz. É necessário que haja paz, que a paz somente é possível quando existe moralidade. Essa deve começar pelos seus governantes para servir de modelo aos governados. Foi durante o governo de Otaviano Augusto que nasceu em humilde aldeia de Belém Aquele que seria o Modelo e Guia de toda a humanidade: Jesus.
Emoldurando a histórica, Divaldo se utilizando de narrativas poéticas, apresentou a Palestina dos tempos Evangélicos com suas paisagens, flores e perfumes, a brisa suave e o Mar da Galileia. Israel experimentava inquietações que não identificava. Jesus estava por chegar e permanecer algum tempo entre os homens. Havia uma expectativa no ar, havia angústia, decepção, pois que a criatura humana havia sido reduzida em importância. Israel era monoteísta, cercada por politeístas.
Na casa de Simão Pedro, Jesus, cuja face fazia lembrar uma noite de estrelas, com dois sois, seus olhos doces, em suave tonalidade azul, havia procedido as curas durante todo o dia, notadamente a de Natanael Ben Elias. Ele veio trazer Boas Novas de alegria. Ali estavam as necessidades humanas e suas aflições. A multidão, como na atualidade, estava ansiosa pela cura. Vendo-O cansado, Pedro dispersou a multidão ao entardecer, e levou o Mestre a descansar a beira do mar da Galileia, e sentado em uma pedra sob generosa sombra de uma árvore, Jesus chorou. Pedro, exultante pelos resultados positivos imaginou que Jesus chorava de alegria. No entanto, o Mestre lhe diz que era por compaixão, pois que, aqueles que haviam sido beneficiados pela cura estavam se perdendo novamente nos desvãos da moralidade e da iniquidade.
Como para as curas, é necessário que o ser humana creia para poder conquistar qualquer objetivo. Crer é uma proposta terapêutica. Simão Pedro, como os que foram curados também não compreenderam o sentido. Jesus não veio para curar as feridas do corpo, mas as da alma. Jesus veio para curar as feridas da alma para que os corpos não tenham feridas. Estabeleceu que intercederia pelos homens rogando a Deus que enviasse outro consolador para que esse ficasse permanentemente com os homens, ensinando, relembrando e esclarecendo para que possa ser consolado.
O Espírito de Verdade veio para restaurar a mensagem do Cristo, trazendo conhecimentos novos, e a sublime mensagem do amor alcança os ouvidos e os corações dos que O escutam. Jesus veio para amar. Perpassando a história do cristianismo, Divaldo Franco descreveu o panorama inaugurado pelos primeiros cristãos, que deturpado após, foram estabelecidas em seu nome as perseguições, onde os cristãos experimentaram dores acerbas no testemunho de sua fé. Como o homem é insensato! Nos períodos que se seguiram, e tendo os cristãos assomado ao poder, passaram a perseguir e a matar os perseguidores de outrora. Perseguido ontem, perseguidor hoje. Aí estão, na História, as Cruzadas, os tribunais do Santo Ofício, a Inquisição.
Jesus trouxe a sua mensagem de amor para que o homem deixasse os pântanos das emoções descontroladas, atreladas às sensações impostas pelos instintos, ensinando que os bens imperecíveis são os do Espírito imortal.
Discorrendo, ainda, sobre algumas análises elaboradas por destacados estudiosos, Divaldo abordou o pensamento da psicanalista Dra. Hanna Wolff, que considera Jesus o maior psicoterapeuta que já existiu. Suas análises e considerações estão reportadas em o livro “Jesus Psicoterapeuta”.
O amor é inspirador da busca de um sentido profundo e transcendental para a vida, encaminhando o ser humano para alcançar o discernimento e a capacidade de distinguir o bem do mal. O amor não se apega, não sofre a falta, mas frui sempre, porque vive no íntimo do ser e não das gratificações que o amado oferece. O amor deve ser sempre o ponto de partida de todas as aspirações e a etapa final de todos os anseios humanos.
Não há, portanto, razão para que a criatura humana se deixe envolver pelo manto de pessimismo que os dias atuais vêm cercando a sociedade. Não se deve valorizar o mal que graça no seio da sociedade humana, nem mesmo se deve permitir que nos tirem a paz e a alegria de viver.
Apesar dos dias tumultuosos da atualidade, onde as aflições, os ódios, as intolerâncias, os sofrimentos e as violências, é urgente aceitar e viver a proposta de Jesus, amando mais, tornando-se o ser humano, assim, mais gentil, tolerante, pacífico e manso, de acordo com os ensinamentos registrados no Sermão da Montanha, permitindo a formação de uma humanidade mais justa e feliz. Muitos, ao invés de se amarem uns aos outros como preconizado por Jesus, elegem se armarem uns contra os outros, seja no campo material, seja no emocional.
A Doutrina Espírita convida a criatura humana a estabelecer profundas reflexões sobre a vida, suas existências e o potencial que cada uma possui para melhorar-se moralmente, empregando o verbo amar em toda e qualquer circunstância. A humanidade atual vive momentos de aflição e muita apreensão ante a avassaladora multiplicação de contaminados com o coronavírus, o COVID-19. Paira sobre a sociedade humana esse bafio pestilento.
Destacando a imortalidade, o Embaixador da Paz, evidenciou o trabalho contínuo que muitos Espíritos pioneiros de Ponta Grossa, já desencarnados, continuam incessantemente realizando, sentindo-se felizes por poder auxiliar o próximo, principalmente o que se acha na dimensão material. Frisou que se deve equalizar o EGO e o SELF, estabelecendo um eixo equilibrado. Todo aquele que se diz cristão tem o dever de acolher Jesus em si, isto é, viver segundo os seus ensinamentos, tornando-se um ser mais solidário, fraternal e amoroso. Ame a vida com serenidade, sem pânico, está na hora de abraçar a caridade, é hora de não reclamar, de não pedir nada, mas de agradecer, de ser grato por tudo e todos. Nas suaves estrofes do Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues, Divaldo encerrou a conferência, recebendo fortíssimos aplausos, permitindo aos presentes sentir a presença do amor incondicional de Jesus envolvendo todos.
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

Divaldo Franco no Paraná Maringá

11 de março de 2020
O Ginásio de Esportes Chico Neto recebeu cerca de 4.000 pessoas para assistirem a magnífica conferência cujo teor comovente versou sobre a capacidade de o ser humano de amar-se, amar o próximo, amando, portanto, Deus, transformando-se moralmente para melhor.
Ao tempo de Jesus, Magdala era uma formosa e celebre cidade à beira do mar da Galileia. Célebre por que a Rainha Cleópatra, por duas vezes, passou o verão tórrido do Egito, na calma e agradável cidade às margens do Mar da Galileia, que também tinha fama pelo seu mercado e pelo câmbio de importantes moedas.
Ali residia bela mulher, disputada por muitos. Com belas mansões e palacetes, aparentava opulência. Era o mês de Nissan – março/abril -, do calendário judaico. Assim ambientado, Divaldo narrou a comovente história de Maria de Magdala, a meretriz, que conhecendo Jesus, tornou-se uma nova mulher, abandonando, de chofre, todos os maus hábitos, distribuindo todos os seus bens, dispensando empregados e escravos, para seguir Jesus incondicionalmente.
A vida da famosa meretriz de Magdala era visitada periodicamente por forças misteriosas que a deixavam prostrada, hebetada. E porque procurara Jesus, ao encontrar um mendigo leproso que lhe pedia dinheiro, este disse-lhe que naquelas imediações havia um homem bom que curava os doentes. Maria, então, solicita-lhe que se o encontrasse fosse ter com ela, informando-a sobre o paradeiro, dando a ele uma moeda de ouro. Ele tinha lepra por fora e ela por dentro, isto é, a consciência em tormento. Era uma pecadora, uma vendedora de ilusões.
Assim sucedeu. O leproso encontrou o Messias, foi ter com Ele e ficou curado. Imediatamente foi informar a equivocada de Magdala. A noite se fazia presente. Ela se encontrava aturdida pelo acometimento que lhe visitava inesperadamente. Nestas ocasiões não recebia a ninguém. Mas o mendigo insistiu tanto que logrou o seu tentame. Informou-lhe que o Messias estava em Cafarnaum, onde pernoitaria para sair no dia imediato. Não poderia perder tempo. De barco, atravessaram o mar da Galileia e foram ter com Ele ao amanhecer.
Ao encontrar Jesus, Maria de Magdala atirou-se aos seus pés, chamando-o de Mestre querido - Raboni. Jesus se dirige a ela chamando-a pelo nome, - o Mestre a conhecia, tal qual o pastor conhece as suas ovelhas – Ele é o bom Pastor das almas, conhecendo-as, todas. Maria disse que deseja seguir-lhe os passos, acompanhá-lo. Porém, o Nazareno disse-lhe não, por ora não seria possível, não agora, mas depois. Por ora, Maria, ame, ame os filhos do mundo, tome conta deles e depois venha a mim. Vai Maria, Eu te esperarei. Vá e ame. Jesus ama as multidões, ilumina a noite dos corações.
Retornando ao seu palacete, a meretriz parecia ter enlouquecido. Ninguém a compreendia. Ela atirava pelas janelas de sua imensa casa luxuosa, as joias, seus bens preciosos, moedas e outros valores, perfumes raros e caros. Dispensou seus empregados. Libertou os escravos. Apanhou um vaso com perfume raro e foi ter com o Mestre, servindo-o com deferência e sublime amor. Passou a ser vista nas caravanas, atendendo a todos, falando de Jesus, o incomparável Mestre. Peregrinou e pregou o Reino de Deus.
O AMOR é libertador. A meretriz de Magdala amou-O como nunca. Passou a fazer parte das atividades de Jesus. Ela assistiu-O entrar em Jerusalém, no período de ramos, quando o Mestre iria, pouco depois, para o suplício no Gólgota. Jesus foi para o seu martírio, João e a pecadora convertida acompanharam-nO de perto.
Após percorrer o caminho de dor imposto pelos poderosos temporários, e já no monte da caveira, ou do calvário, Maria de Nazaré, a Santíssima, acompanhada de Maria de Magdala e de Mônica, que lhe secou o suor sanguinolento, experimentam a dor da angústia, do medo e o tormento do suplício aplicado ao inocente. A cena era tenebrosa, Jesus tomba pendurado na cruz. Tudo estava consumado.
A noite caiu sobre a terra antes mesmo de o sol se pôr. Aqueles últimos momentos foram de terrível angústia e tristeza. A ex-meretriz permaneceu ali, constrita, em profunda tristeza e ao amanhecer foi ao sepulcro e lá já não encontrou o corpo do Messias. Vislumbra, na penumbra da madrugada, uma silhueta, imagina ser um zelador, e pergunta para onde haviam levado o seu Senhor. Ele, então, se volta, ela se viu diante do Mestre, que não se deixa tocar.
Maria de Magdala saiu dali e foi ter com os demais discípulos, informando-os sobre o sucedido. O Mestre está vivo, exclama ela. Não acreditaram nela. Maria Santíssima, disse-lhe, então: - Minha filha, meu coração de mãe diz que tu o viste. Já Tomé, somente mais tarde foi acreditar, desejava tocar em suas chagas para que tivesse certeza de era realmente o Mestre.
Depois desta aparição, Jesus ainda teve outras oportunidades para se fazer notar pelos circunstantes, reafirmando a sua natureza espiritual ímpar. Estimulou e encorajou aos que estiveram com Ele a saírem por toda a parte para pregarem o Evangelho para todos.
No passado, como na atualidade, o preconceito vige soberano. Maria de Magdala não conseguia trabalhar. E por não encontrar trabalho, ao passar de uma caravana de sírios leprosos que procuravam pelo Mestre, no desejo de serem curados, e não sabendo do que havia sucedido no Gólgota, Maria de Magdala dá-lhes a notícia.
Ela falou aos leprosos sírios com uma ternura como nunca, e como não tinha a ninguém, foi ter com eles, passando a falar de Jesus para aqueles doentes. Em estando no meio de leprosos, adquiriu a peste. A lepra se alastrou, tomou-lhe o corpo outrora belo e, agora, quando falava aos leprosos, se dirigia não mais a vós, mas a nós, pois que, então, fazia parte do número dos contaminados.
Maria de Magdala decidiu, então, visitar a Mãe Santíssima, em Éfeso. Viajava à noite, para não ser importunada. Depois de longas noites caminhando, chegou à Éfeso pela manhã. Já quase sem forças, desfaleceu, e um casal de cristãos recolheram-na para a casa de Maria Santíssima e de João.
Por três dias e três noites Maria de Magdala permaneceu em delírio. Na manhã do terceiro dia sentiu algo estranho e uma força arrancou-a da carcaça, sendo acolhida por um grupo de seres angélicos. Viu-se à beira do mar, ouvia suave melodia e aquela luz, pairando sobre as águas, arrebatou-a às alturas, acolhendo-a. Era Jesus. Luz fulgurante rasgou os céus. Maria de Magdala havia transposto a porta estreita. No amor que Jesus nos ensinou está a resposta para todas as amarguras. Está a resposta para a nossa busca no amor. Jesus veio para que cada ser humano possa atravessar a porta estreita, consolando, apresentando o reino dos Céus. Esta comovente história está contida no livro Estrela Verde, sob o título - Mirian de Migdal: capítulo 3, uma compilação de Delcio Carvalho, da Editora LEAL.
Finalizado o fulgurante encontro pacificador de corações e estimulador do amor, Divaldo Franco foi calorosamente aplaudido de pé. Marcando esse evento, as lideranças espíritas locais prestaram-lhe singela homenagem.
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Divaldo Franco no Paraná Medianeira

18 de fevereiro de 2020
Conferência Pública
O Centro de Eventos da LAR Cooperativa Agroindustrial, em Medianeira/PR, ficou lotado. O público, expectante, assistiu a bela apresentação do Coral Enrique Baldovino, antecedendo a magnífica conferência realizada por Divaldo Franco, recebido pelas lideranças espíritas locais, regionais e estadual.
Fatos não programados acontecem amiúde na vida das pessoas, contrariando desejos e ações, mesmo as programadas. É comum os indivíduos se perguntarem sobre os motivos que levaram a não alcançar os resultados esperados, embora bem preparados. Assim aconteceu com o eminente Bispo Anglicano James Albert Pike (14 Fev 1913 - Set 1969), um homem notável que influenciou positivamente o Reino Unido e os Estados Unidos da América, ao sofrer o impacto do suicídio de seu filho Jim Pike em 1966, em um quarto de hotel da cidade de Nova York.
O acontecimento causou um inesperado impacto no Bispo e na sua vida, levando-o a refletir sobre os acontecimentos envolvendo o relacionamento com o filho, agora morto. Lembrou-se de ter sido informado pela escola de que seu filho era um usuário de drogas. Mergulhando nas reminiscências, recordou-se da indisfarçável surpresa e constrangimento de que fora tomado naquela ocasião, quando preferiu dar crédito ao filho, que lhe afiançava não ser drogadito, embora admitisse consumir eventualmente. Ante o fato estarrecedor, refletindo, o Bispo Pike havia confiado nas palavras do filho, quando o correto teria sido o de aprofundar as análises. Meses mais tarde, lembrou-se o Bispo, havia ficado comprovado que Jim era um toxicômano.
A maioria dos pais – advertiu Divaldo – não reflete com profundidade sobre os riscos envolvendo os filhos no uso das drogas, pois acreditam, ingenuamente, que eles jamais usariam drogas. Os pais, asseverou, devem ficar muito atentos aos sinais indicativos - físicos e comportamentais - de que seus filhos são usuários de drogas: diferentemente do seu comportamento habitual, ele se torna, ou silencioso ou rebelde; tremores nas mãos; sudorese fria e viscosa; ligeira palidez na face; a comunicação verbal é ineficiente, às vezes confusa, uso do linguajar quase monossilábico. Na medida em que a dependência aumenta, há uma dilatação dos vasos sanguíneos dos olhos, que para disfarçar esse sintoma, o dependente se utiliza de forma constante o uso de óculos de sol, mesmo à noite, dada a fotofobia produzida, uma das consequências do uso de drogas.
O lar é o ambiente ideal de educação, ali tem início a construção moral dos filhos, que mediante o comportamento dos pais, dando-lhes exemplos do valor do conhecimento, do caráter, da honra, da convivência doméstica. Essa é uma tarefa indispensável, nunca deve ser transferida totalmente para a escola, encarregada da instrução, na qual se devem induzir os hábitos saudáveis através da conduta dos mestres.
Infelizmente a criança não é devidamente valorizada. Os pais não dão a atenção indispensável, o carinho e a assistência no lar. Preocupam-se em dar coisas, evitando darem-se a si próprios, mesmo que isso resultasse em menos conforto e maior esforço na manutenção da família. O pensamento materialista favorece o surgimento de uma sociedade imediatista, agressiva, cruel e indiferente. Divaldo Franco fez séria advertência aos genitores: não se iludam de que o seu lar não será alcançado por esse flagelo. Observem o comportamento dos filhos!
Contudo, se o drama das drogas já instalou em seu lar, não fuja, ignorando o fato devastador. Não se revolte, nem seja hostil. Faça uso do diálogo, esclarecendo, orientando e assistindo o filho. Lembre-se que além do auxílio dos recursos médicos, não se esqueça do amor. A Doutrina Espírita é manancial disponível para a construção da moral, visando obter a reeducação e a felicidade de todos. Sua base sólida está assim constituída em seis pilares:
1. Existência de Deus: O emérito Allan Kardec pergunta aos Bons Espíritos, em O Livro dos Espíritos, questão 4: Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus? A resposta é sublime, pois é tirada do pensamento lógico: “Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
2. Imortalidade da alma: Ninguém morre, somente o corpo físico perece.
3 Comunicabilidade dos Espíritos: A mediunidade abençoada que – à semelhança do que aconteceu com o Bispo Pike - instrui, consola e restabelece a esperança e revigora a fé.
4. Reencarnação: Que responde: Por que eu sofro? A Reencarnação possui a capacidade de informar o que somos, o que fazemos de nós, bem como afiança que o destino está nas mãos de cada criatura humana.
5. Pluralidade dos Mundos Habitados.
6. O Evangelho de Jesus: O Espiritismo tem por base o tratado mais notável de princípios éticos de que a Humanidade jamais teve a glória de conceber: O Evangelho de Jesus.
Feitas essas considerações, Divaldo Franco retornou ao drama do Bispo Pike, que se mudara dos EUA para a Inglaterra, habitando o mesmo apartamento onde por muitos anos seu filho residira. Assim, diante de fatos inusitados envolvendo ocorrências paranormais, o Bispo Pike procurou o auxílio de uma médium inglesa – a Sra. Ena Twigg (1914 – 1984). Pela psicofônica – um dos tipos de mediunidade – Jim, desencarnado, manifestou-se revelando que sua morte não fora por suicídio. Jim informou que morrera após ingerir, inadvertidamente, uma grande dose de medicamentos e calmantes para poder vencer a insônia, e diante da ineficácia da medicação passou – em um gesto automático – a tomar vários até que sobreveio a desencarnação. Ele era, sim, um suicida indireto, por ter sido um toxicômano.
O Bispo James Pike voltou à casa da médium, Sra. Ena Twigg, por mais dez vezes, em intercâmbios bem-sucedidos, colhendo depoimentos do filho e de um amigo de infância, também já falecido. Os depoimentos deram-lhe as provas da imortalidade da alma e da comunicabilidade dos Espíritos. Diante dessas evidências incontestáveis o Bispo Pike readquiriu a fé, agora iluminada pela razão, levando-o narrar todos os pormenores dessa redescoberta em suas conferências, sermões e entrevistas aos meios de comunicação. Os fatos ensejaram-lhe a oportunidade de publicar o livro The Other Side (O Outro Lado), sua autobiografia.
Observação: Mais detalhes sobre o Bispo Pike, seu filho Jim e os desdobramentos deste episódio, se encontram na obra Um Encontro com Jesus, no capítulo 26, uma compilação de Delcio Carvalho.
Os fatos da vida podem ser elucidados, ou melhor compreendidos, à luz da majestade do pensamento Espírita, o Consolador prometido por Jesus. A mensagem de Jesus dá ao homem a oportunidade de descobrir o sentido da vida, isto é, amar, superando o vazio existencial, ao buscar Deus, compreendendo que as dificuldades fazem parte da existência. A mediunidade propicia momentos ricos de bênçãos. A vida está presente em tudo e em todos os lugares. O atual momento é de esperança, de mudanças a caminho de um mundo melhor, cada ser humano está diante da Eternidade, da mais pura realidade, convidando a viver com felicidade, amando, sendo e vivendo a transcendência, pois que cada criatura humana é a manifestação de Deus do verbo amar, asseverou Divaldo Franco, o Paulo de Tarso do Espiritismo.
Declamando o Poema Meu Deus e Meu Senhor, de Amélia Rodrigues, Divaldo encerrou magistralmente a conferência, recebendo caloroso aplauso, pondo-se o público de pé.
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Divaldo Franco - Seminário Vidas Vazias - Parte 3

São Paulo 09 de fevereiro de 2020
    Fotos: Edgar Patrocinio
    Texto: Djair de Souza Ribeiro
O sol esfuziante – que rutilava em SP - acolheu com seus raios esfuziantes de luz e calor o domingo 09.02.2020.
Chegava o derradeiro dia do Seminário Vidas Vazias.
Nesses dias, conceitos novos foram apresentados, conceitos conhecidos foram recordados, renovados e ampliados.
Divaldo - do alto de sua larga experiência de educador e mestre na arte de iluminar consciências - sabe que na condição de aprendizes que somos todos nós, trazemos dúvidas e incertezas sobre os conceitos e ideias exaradas no decorrer do Encontro.
Por esta razão, Divaldo – diante da complexidade do tema apresentado – abriu espaço para responder às questões apresentadas pelos participantes sempre ávidos por ampliarem conhecimentos.
Variadas e múltiplas perguntas foram formuladas e todas respondidas por Divaldo com jovialidade e precisão pautando-as sempre na Doutrina Espírita e nos ensinamentos de Jesus.
Com rara habilidade Divaldo não desperdiçou a oportunidade e permeou suas respostas e esclarecimentos enfatizando que o despautério, a agressividade e a inversão de valores estavam chegando ao paroxismo de exteriorização, mas que NUNCA houve tanta manifestação de AMOR a envolver a Humanidade.
Diante do alto interesse em relação ao Transtorno do Autismo, Divaldo franqueou a palavra ao Dr. Juan Danilo Rodriguez - médico e psicólogo Equatoriano, autor das obras “Terapia Holística Alliyana” e “Notas do Coração” – que na condição de fundador em Quito da Fundação Luz Fraterna (Fundación Luz Fraterna) que assiste terapeuticamente adolescentes autistas, reúne as melhores condições para dirimir as dúvidas surgidas.
O Dr. Juan Danilo também forneceu maiores esclarecimentos e informações sobre dúvidas referentes à terapia Alliyana, ocasião em que reiterou ENFATICAMENTE de que tal terapia é uma FERRAMENTA. O caminho é o Espiritismo e por essa razão, a terapêutica, NÃO deve ser agregada às atividades dos Centros Espíritas.
Finalizando o Seminário, Divaldo realizou com os participantes do encontro uma Visualização Terapêutica, após a qual se despediu de todos augurando votos de muita paz e confiança em Jesus, nosso Modelo e Guia, relembrando-nos de que Ele está capitaneando essa nau – a Terra – que de forma alguma se encontra à matroca, abandonada ou sem rumo.
Confiemos e cumpramos com os nossos deveres.

Divaldo Franco - Seminário Vidas Vazias - Parte 2

São Paulo 08 de fevereiro de 2020
    Fotos: Edgar Patrocinio
    Texto: Djair de Souza Ribeiro

A manhã ensolarada do sábado 08.02.2020 veio encontrar os 325 participantes de o Seminário “Vidas Vazias” em positiva expectativa com relação ao encontro com Divaldo e suas considerações.
Dando início ao desenvolvimento do tema, Divaldo aborda a uma narrativa que atribui a Albert Einstein uma carta à sua filha Lieserl sobre a força universal do amor, sendo a mais significativa das “forças” constitutivas de todo o Universo (Gravidade, Eletromagnetismo, Força Nuclear Forte e Força Nuclear Fraca). É uma mensagem linda, oferecendo uma abordagem universal que fala da essência da condição humana e do nosso anelo incessante de crer na força conquistadora do amor.
Em seguida Divaldo aborda o Pai da Psicologia Analítica e destaca (entre os componentes da Estrutura do Psiquismo) os Arquétipos – localizados no Inconsciente Coletivo e que na definição do renomado Psicólogo austríaco são e representam as marcas antigas existentes em nosso histórico evolutivo. São os registros (imagens e emoções) evolutivos de nossas experiências transatas e que se aglutinam em torno de núcleos (pai-, mãe, filho, cidadão etc.). É uma espécie de sistema de prontidão para a ação.
Segue Divaldo, referindo-se agora às questões da hereditariedade e do Evolucionismo onde se destacou Charles Darwin. A Paleontologia ilustra – por intermédio de fatos – que os primeiros habitantes da Terra são as células albuminoides, as amebas e os organismos unicelulares que se multiplicam rapidamente nos oceanos dando – após bilhões de anos -  ao surgimento dos peixes, posteriormente os anfíbios, depois os répteis, em seguida as aves e finalmente a CLASSE dos mamíferos.
Nessa classe vamos encontrar a FAMÍLIA dos Hominídeos do qual derivam os diversos GÊNEROS que a compõem: Orangotango, Chimpanzé, Australopiteco e o HOMEM. No genêro Homem vamos subdividir em várias ESPÉCIES (Homo Habilis, Homo Erectus, Homo Neanderthal, Homo Sapiens).
Todavia os estudiosos se deparam com uma questão que por séculos vem permanecendo sem resposta: Trata-se de o Elo Perdido que vem a ser o último ancestral comum aos Gêneros Chimpanzés e Homem.
Esse “salto” evolutivo que não deixou registros fósseis encontra explicação nas páginas de o livro “A Caminho da Luz” de Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier, que nos revela que esse “salto” foi propiciado pela emigração de Espíritos oriundos de um dos mundos que orbitam a estrela de Capela, dali banidos por força da transição moral da humanidade dessa Região do Cosmo.
Graças a essa transmigração de Espíritos mais adiantados intelectualmente, porém poucos desenvolvidos moralmente, reencarnam-se no seio da Humanidade Terrestre Nativa e vem auxiliá-la no progresso tecnológico. Nesse processo – de auxiliar  a Humanidade - evoluem moralmente, permitindo-lhes retornar às origens.
A Humanidade segue sua trajetória em direção à iluminação interior, produzindo nesse périplo os eventos trágicos que pontuam na historiografia humana, impulsionados pelo apego às conquistas imediatistas e vazias de objetivos transcendentais.
Para auxiliar a Humanidade – destroçada pelo materialismo – a superar essas vicissitudes, a Misericórdia e a Compaixão Divina, vem proporcionar impulso para a transição da Humanidade do Nível moral de Provas e Expiações para o passo seguinte da Escala Moral: o mundo de Regeneração.
A transmigração de Espíritos – desenvolvidos moral e intelectualmente – veem ocorrendo, trazendo-os desde um dos mundos da estrela de Alcione, que auxiliar-nos-á a superarmos essas situações que trazem sofrimentos inomináveis à toda Humanidade.
Prosseguindo no desenvolvimento do tema, Divaldo pontua que muitos preenchem o vazio existencial com fúteis e vãs expectativas e agasalham ideias infrutíferas. Por essa razão – na atualidade – o normal não chama a atenção e nem desperta o interesse, mas sim os comportamentos exóticos, esdrúxulos e agressivos que passou a ser a conduta prevalecente.
Surgem escritores proliferando as ideias niilistas, materialistas questionando a existência de Deus e os valores morais.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Divaldo Franco - Seminário Vidas Vazias - Parte 1

São Paulo 07 de fevereiro de 2020
Entre os dias 07 e 09 de fevereiro de 2020, como ocorre – bi anualmente - há mais de vinte anos, o Hotel Jaraguá, no centro da cidade de SP foi escolhido para recepcionar os mais de 300 participantes do Encontro com Divaldo Franco, organizado pelo Centro Espírita Bezerra de Menezes de Santo André. Desta vez foi eleito o tema “Vidas Vazias”.
Divaldo dá início ao desenvolvimento do tema referindo-se ao comportamento agressivo e niilista da Sociedade humana. Em seguida Divaldo cita o filósofo grego Sócrates (469-399 a.C.) e a visita ao Oráculo de Delfos no qual está inscrito no pórtico a frase “Conhece-te a ti mesmo”.
Cerca de 23 séculos mais tarde, Allan Kardec – em O Livro dos Espíritos - indaga na questão 919: Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?
Os Espíritos Superiores respondem: “Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo”.
O que é que – realmente - nos falta, pois a palavra “VAZIO” evoca um espaço determinado para o qual há lugar para ser preenchido, mas com o quê?
Para ilustrar essa questão, Divaldo refere-se aos fatos envolvendo o médico psiquiatra austríaco Dr.Viktor Emil Frankl (1905-1997) fundador da escola da Logoterapia, que explora o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Dr. Frankl, junto com toda a família, é feito prisioneiro e levados aos campos de concentração.
Após longos anos de subalimentação e maus tratos o Dr. Frankl adoece, o que representava uma sentença de morte, pois os nazistas encaminhavam os incapazes para as câmaras de extermínio. Para evitar que isso ocorresse o Dr. Frankl se mantém consciente e em pé e ocupando a sua mente e escrevendo – com papéis roubados do escritório do administrador nazista -  seu livro que pretendia publicar um dia para testemunhar os horrores do Holocausto.
De retorno a Viena, o Dr. Viktor Frankl volta a clinicar e publica uma obra autobiográfica intitulada Em busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. Alguns anos mais tarde publica o livro “O Homem em Busca de Sentido”.
“Se percebemos que a vida realmente tem um sentido, percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser um ser humano, é trabalhar por algo além de si mesmo. A vida para ser digna tem que ter um objetivo”.
Partindo da premissa de que a viagem de iluminação interior – o conhece-te a ti mesmo - se alonga por uma larga trajetória, a ser vencida com sacrifício e vontade bem direcionada Divaldo ilustra a questão tomando como referência o livro “Os Quatro Compromissos” do autor americano-mexicano tolteca Miguel Ruiz.
Possuidor de uma extraordinária cultura, Divaldo nos esclarece que o povo Tolteca viveu há cerca de 5.000 anos habitando as regiões onde hoje se situa o México e o Panamá.
Vários filósofos e cientistas Toltecas se concentraram na cidade de Teotihuacán, com o propósito de estudar a sabedoria espiritual de seus antepassados que era encarada como uma fonte Divina de felicidade e amor demonstrando que a ética contemporânea é tão remota quanto a arte de pensar que um dia ergueu uma criatura do barro carnal e elevou-a às culminâncias do Universo, mediante a constatação de que a vida está vinculada a quatro compromissos morais e que a verdadeira felicidade é consequência daquilo que se pensa e depois daquilo que se emite (verbal ou graficamente).
Os Xamãs Toltecas elaboraram um método permitindo ao povo assumir uma nova postura na vida mediante o desenvolvimento de um novo comportamento onde as pessoas deveriam assumir quatro compromissos em todas as atitudes na vida para consigo, com o próximo e para com a Força Geradora:
1. SEJA IMPECÁVEL COM A SUA PALAVRA: A impecabilidade da palavra é o de dizer sempre a verdade. Sendo o primeiro compromisso entende-se ser o de maior importância uma vez que a palavra é o mais poderoso instrumento que possuímos, e tanto pode ser usado para nos escravizar ou expressando nosso poder criativo.
É na palavra que está centrada a nossa estrutura ético-moral (A boca fala do que está cheio o coração. Jesus - Mateus 12:34).
A palavra tem uma importância inimaginável, pois pela força do verbo materializamos nossos pensamentos e estes, uma vez materializados, nos trarão benefícios ou prejuízos, e igualmente todos que nos ouviram. A palavra não é apenas um som ou um símbolo gráfico ou pictórico que se lê.
A palavra exprime força, energia e tanto constrói como destrói.
Jesus, Modelo e Guia da humanidade atento a isso nos ensinou: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. Mateus 5:37.
Jesus já deixava muito claro que somente possui a palavra impecável, aquele que tem uma vida impecável.
2- NUNCA TOME PARA SI AQUILO QUE É DIRIGIDO PARA OS OUTROS - NÃO LEVE, NUNCA, A MÁGOA DENTRO DO SEU CORAÇÃO. : Não levar em consideração os comentários e ofensas a nós dirigidas sem uma criteriosa análise e, principalmente, não levar nada para o campo pessoal, não permitindo, assim, que a mágoa e o ressentimento façam morada em nosso íntimo, que se tornam tóxicos corrosivos a dilapidar nossa saúde.
3- NÃO TIRE CONCLUSÕES SOBRE NADA: O conhecimento não tem ponto final, ele prossegue, razão pela qual devemos estar sempre aberto a revisões e alterações dos nossos conceitos. Temos o hábito de tirar conclusões sobre tudo que nos chega à percepção. A conclusão equivocada passa a ser considerada como “verdade” e, então petrificamos nossa opinião de que aquilo que pensamos é verdadeiro e tiramos conclusões sobre o que os demais fazem.
4- QUANDO VOCÊ FIZER ALGO, FAÇA-O MUITO BEM, DANDO SEMPRE O MELHOR DE SI: Este compromisso deve ser incorporado na mente e no seu comportamento. Dê sempre o melhor de si em tudo o que você faz. Em qualquer circunstância devemos fazer o melhor possível e sem esperar qualquer recompensa, posto que temos o hábito de esperar o reconhecimento pelas nossas ações e quando este não nos chega no prazo que ansiamos, nosso ímpeto e dedicação vai diminuindo de intensidade, portanto, não aguarde recompensa por agir corretamente. Simplesmente faça o seu melhor e assim a sua satisfação interior será a sua maior recompensa.
Divaldo aprofunda a sonda de suas análises e ilustra – com a força poderosa do pluralismo de seu conhecimento – e aborda a questão da Religião.
Pouco mais de 11% da população mundial declara NÃO professar nenhuma religião, significando que mais de 6.600.000.000 pessoas creem em Deus, independentemente da nomenclatura.
Então, por qual razão a humanidade enfrenta essa situação? Seriam os 11% de ateus os únicos responsáveis por essa condição?
O problema não é a falta de Religião, mas a ausência ou a precariedade da RELIGIOSIDADE das criaturas humanas, muito mais preocupadas em atender aos dogmas – muitos provados pela Ciência como inverossímeis – da Religião professada, em detrimento dos conceitos morais mais profundos e libertadores. O próximo é – agora – o inimigo a ser destruído, moralmente ou até mesmo fisicamente,
Pessoas portadoras de profundos conflitos e devastadores complexos, vazios de conteúdo moral desrespeitam os símbolos religiosos dos demais e incapazes de ombrearem com as figuras impolutas – Gigantes morais e referência de amor – buscam arrastá-las para o lixo moral e o monturo existencial em que chafurdam.
Preparando os ânimos para os dias subsequentes Divaldo faz um convite aos participantes: Que reflitam sobre qual é a razão existencial que move a cada um de nós e que elejam um ideal:
— Eu me prometo que nesses três dias eu vou me sentir feliz.
    Fotos: Edgar Patrocinio
    Texto: Djair de Souza Ribeiro


(Informações recebidas em email de Jorge Moehlecke)

domingo, 22 de dezembro de 2019

Jesus e Reencarnação - Mansão do Caminho

Tivemos neste sábado (21.12.2019) na Mansão do Caminho o chamado Aulão, espaço para reflexões que nesta data abordou o tema Reencarnação, contando com a presença de Juan Danilo Rodrigues, da Mansão do Caminho, Laudelino Risso, de Cascavel, PR, e do Dr. Leonardo Machado, Psiquiatra pernambucano, tendo Divaldo Franco como condutor dessa atividade, que foi dividida em três partes.
O primeiro a falar foi Juan Danilo, a quem Divaldo cognominou O Cantor do Evangelho, que discorreu sobre suas experiências de observação de fatos que lhe atestaram a autenticidade da reencarnação, como resposta plausível para a explicação dessas ocorrências, tendo-se em vista o amor infinito que Deus tem por suas criaturas. Por esta razão, ressaltou ele que a reencarnação é oportunidade que temos de aproveitar para o aprendizado do verbo amar e exercitar o Bem, rotas seguras que conduzem à plenitude, por possuir o dom de produzir uma força interna capaz de superar a dor que se faça presente na jornada terrena para os que sabemos haver uma planificação divina atuante em nossas vidas.
Na sequência, Laudelino Risso abordou, de forma brilhante, os fatos históricos que entronizam a reencarnação como um Lei natural, citando a passagem bíblica do encontro de Jesus com Nicodemus e a retirada de seu ensino, no ano de 553, através do Concílio de Constantinopla II, por parte da Igreja Católica. Citou, também, as inúmeras manifestações dos Espíritos contidas na obra O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, que narram as causas do sofrimento e felicidade fruidos, como resultantes da Lei de Reencarnação, bem como o caso de crianças de tenra idade aprisionadas em corpos deficientes a sofrerem com crueis enfermidades, ou, dotadas da precocidade de gênio. Sendo Deus o autor dessas vidas, onde a atribuição de tão diferentes destinos, sendo Ele infinitamente Justo e Amoroso? Questões de preferência divina? Incompativel com a Suprema Perfeição... Buscar o sentido da vida para vivermos como verdadeiros cristãos, foi a sua conclusão final.
O terceiro palestrante foi o Dr. Leonardo Machado, com a temática que ressalta a influenciação que exercemos uns sobre os outros e que prolongam-se para além de uma vida física. Abordou, então, alguns casos da sua vivência na psiquiatria, como a de um jovem de dezoito anos, esquizofrênico, de Recife. Colocado o seu nome para a sondagem das causas da sua perturbação em sessão mediúnica, resultou ter sido esse jovem um cruel general a comandar pequeno exército de um senhor feudal, que promoveu atrocidades, sendo agora perseguido espiritualmente por suas vítimas. A dor chega de uma forma ou de outra em nossa existência, por efeito da Lei de Causa e Efeito. Quando pensamos em reencarnação, pensemos nessas ligações que ocorrem entre os seres humanos, e o valor das influências que surgem para a edificação de nossas vidas, como o faz Divaldo Franco para o nosso despertar espiritual, na sua coragem e destemor de realizar tamanho empreendimento de amor - concluiu o Dr. Leonardo.
Com breves considerações Divaldo Franco encerrou este encontro.
Texto e fotos: Delcio Carvalho

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Divaldo Franco na Bahia Movimento Você e a Paz

Salvador, 19 de dezembro de 2019
A Paz em ti ajudará a construir a paz no mundo. (Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)
O Município soteropolitano tem em seu calendário de manifestações cívicas e culturais, o Dia do Movimento Você e a Paz, comemorado anualmente em 19 de dezembro, instituído pela Lei Municipal 5.819/2000, de 29 de novembro de 2000. O farol da Barra foi o palco em que esta efeméride foi comemorada. Para lá se dirigiram milhares de pessoas comprometidas com a divulgação da paz, da não-violência, da formação de uma cultura de paz. A Equipe de Eventos do Centro Espírita Caminho da Redenção, sob a liderança de Telma Sarraf e conduzindo seus liderados atentos e comprometidos com a funcionalidade e perfeição, montou toda a infraestrutura para atender com excelência as autoridades e o público.
O momento artístico foi rico de momentos de harmonia e enlevo, conduzido pelo Coral Santa Dulce dos Pobres; Assis Diomar; Banda Redenção, sob a liderança de Juan Danilo, da Mansão do Caminho - um dos vários programas educacionais da Mansão do Caminho -; e Nando Cordel.
Com as autoridades estaduais, municipais, eclesiásticas e convidados no palco, a Banda de Música do 2º Distrito Naval da Marinha do Brasil, executando o Hino Nacional, por todos cantado, a solenidade foi iniciada. O Movimento Você e a Paz visa manter os ideais de fraternidade, de tornar as criaturas mais pacíficas e pacificadoras, de conscientização da formação de uma cultura de não-violência, de preparação de agentes pacificadores e promotores do equilíbrio espiritual, sem caráter político ou religioso. O Movimento já é realizado em 10 países e 75 cidades, das quais 58 no Brasil e 17 no Exterior. O Trabalho de promoção da paz é inadiável.
Os pronunciamentos prévios realizados por várias autoridades políticas, religiosas e militares destacaram que não haverá paz se a própria criatura humana não se tornar pacífica, harmoniosa consigo mesma, pois que o real sentido da vida é a paz, o respeito em todos os aspectos, na humildade praticada, no amor e na caridade. Construir a paz é, antes de tudo, uma atitude de solidariedade, de aceitação do outro, com abnegação, renúncia e perdão. O homem pacífico é o que se educou através de um processo interno, reverenciando a paz, sentindo-a no coração, extinguindo as guerras íntimas e que se estendem para os que estão no entorno. A paz será construída através de ações pessoais, estabelecendo uma conexão com as leis divinas, com ações de amor e de respeito.
O Movimento Você e a Paz, a partir do ano 2.000, instituiu troféus para homenagear três importantes segmentos da sociedade: Personalidade física que se doa; instituição que realiza; e personalidade que viabiliza. Os agraciados desenvolvem meritórios trabalhos de soerguimento do ser humano, promovendo-o, restituindo-lhe a dignidade, minorando estados calamitosos, acolhendo-o amorosa e fraternalmente, sem qualquer distinção.
Divaldo Pereira Franco, médium espírita, Embaixador da Paz no Mundo, idealizador do Movimento Você e a Paz, destacou que o maior desafio da criatura humana é a própria criatura humana. Com mais de dois bilhões e duzentos milhões de anos de desenvolvimento antroposociopsicológico alcançou o cosmo e, ao mesmo tempo, a micropartícula, encontrando a energia, a fonte da vida. Apesar destas conquistas o homem não conseguiu interpretar-se a si mesmo, vivendo, na atualidade, sem paz interior. Embora possuindo tudo, dominando o que seja possível, tanto no macro quanto do microcosmo, e tendo acumulado conhecimento desde o passado remoto e desenvolvido a ciência, isto não deu felicidade ao homem, contudo lhe facultou uma longevidade maior.
Apesar de toda esta conquista, o homem ainda não realizou a sua grande tarefa, a de moralizar-se, o que Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, denomina como falta de desenvolvimento moral. A filosofia tem contribuído para a mudança do pensamento humano, mas o amor, o sentimento ágape, é ainda desconhecido desde o passado até os dias presentes. O apelo material predomina sobre o espiritual.
Na busca da felicidade, a criatura humana experimentou o prazer através do hedonismo, adotando a filosofia de Epicuro, cerca de 300 anos antes de Cristo. Como não se sentiu feliz, Diógenes propôs que a felicidade poderia ser alcançada ao satisfazer a sede de ter e de poder. Zenão de Cicio, em sua filosofia estoicista, declarava que a felicidade era suportar a dor e não sofrer, pois que viver era padecer. Nenhuma delas proporcionou felicidade ao homem. Há, porém, uma proposta ética, capaz de fazer com que o homem se harmonize consigo mesmo, sentido a felicidade, é a do amor, fazendo ao outro tudo o que gostaria que lhe fosse feito. É a proposta de Jesus, onde o homem, conhecendo-se, sente-se integral, harmônico e pacifico.
Quando os indivíduos aprenderem o exercício da solidariedade, dando-se ao outro, sendo-lhe útil, amando, servindo, porque já se amam, serão felizes. Com este nível de amor a paz será constante. Todos estão na Terra para domarem o instinto, desenvolvendo o sentimento. Jesus é o caminho da reabilitação perante as leis divinas. A vida possui um sentido, é o amor, e quem ama já é pacífico. Sem a paz a vida não tem sentido.
A proposta é levar a paz para o lar, para a família, amando com mais intensidade, estar junto física e mentalmente. Amar é sentir o calor humano, é relacionar-se face a face. Ame! Se não é correspondido, continue amando, tocando a alma do outro. O bem não pode conviver com o mal. Assim, não aceite o mal dos maus, não reaja. Não fazer o que os covardes fazem é superar-se a si mesmo. O sonho do pacifista é dar-se as mãos, estampar um sorriso de amor. O homem pode se sentir feliz desde já, em paz consigo mesmo, pois que há muito o que agradecer e nada para reclamar.
Declamando o Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues, Divaldo encerrou a 22ª edição do vitorioso Movimento Você e a Paz. Dando-se se as mãos, todos cantaram efusivamente com Nando Cordel a Canção Paz pela Paz, de sua autoria. Os abraços entre os presentes foram múltiplos, com desejos de paz, felicidade, harmonia e solidariedade através da transfusão de vibrações pacificadoras.
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Divaldo Franco na Bahia Centro Espírita Caminho da Redenção

Salvador, 17 de dezembro de 2019

O amor é Deus em nós! (Divaldo Franco)
Acolhedor e profundamente grato, Divaldo Franco recepcionou com um farto lanche, ao entardecer de terça-feira, as caravanas visitantes oriundas de diversos Estados, e que estão participando dos diversos eventos do Centro Espírita Caminho da Redenção e do Movimento Você e a Paz. 
Em suas palavras de acolhimento destacou as dificuldades que a humanidade experimenta neste período de transição, especialmente os espíritas, que conhecendo com boa profundidade os ensinamentos do Cristo, devem permanecer atentos à essas mensagens, devendo permanecerem atentos quanto as diversas armadilhas do mundo moderno, muito voltado ao materialismo, tomando distância do espiritualismo. Não esquecer que a mensagem é de amor, de caridade, de solidariedade, doando-se mais ao próximo. É tarefa dos espíritas manter a pulcritude dos ensinamentos de Jesus, adotando-os nas atividades espíritas e pessoais, praticando e divulgando as bases doutrinárias, unindo-nos uns aos outros, evitando todo e qualquer movimento que venha a ser adotado ou divulgado para dividir as criaturas. Recomendou, o anfitrião, a não alimentar o mal, mas divulgar o bem, e aos médiuns, lembrou uma recomendação de Allan Kardec, que ensinava que a mediunidade deve ser exercida cristãmente. Frisou que todos devem amar e respeitar seus pais, cobrindo-os de carinho e cuidados. Eles merecem, pois que oportunizaram a reencarnação de seus filhos, não os abortando.
No Centro Espírita Caminho da Redenção, na atividade doutrinária hebdomadária, Divaldo Franco recebeu o Padre Manoel Olavo Amarante, Pároco da Paróquia Santa’Ana, Itaquera, em São Paulo, Capital, que dirigindo rápidas palavras ao público, destacou que o caminho dos cristãos é o da beleza, do amor, da felicidade, dos sentimentos elevados, da caridade. Conhecendo a obra de Joanna de Ângelis e estudando-a, afirmou que a tem por grande amiga, auxiliando-o a ser verdadeiro discípulo de Jesus, suavizando o peso de sua cruz. Salientou que não se deve ter medo de tomar uma decisão depois de bem analisada, estudada. É necessário que cada um faça todo o esforço possível para ganhar a atual encarnação, fazendo toda a caridade que estiver ao alcance, amando. Confidenciou que tem crescido espiritualmente com os ensinamentos de Joanna de Ângelis e de Jesus. A lição da paz é a do amor e da caridade.
Divaldo Franco, informou que o Movimento Você e a Paz, que está sendo realizado em Salvador atualmente, encontra-se coroado de bênçãos, tendo a sua culminância de 2019 no Farol da Barra, no dia 19 de dezembro, a partir das 18h.
Naquele 1º de setembro de 1919, uma data muito especial, a Polônia foi invadida pelo Sul pelos alemães e ao Norte pelos russos. A história envolve, inicialmente três irmãos, 1 irmã, e a mãe dos quatro. Essa é uma história verdadeira e se encontra publicada na internet, sob o título de: A menina e a maçã. Tomei a liberdade de copiá-la, pois que Divaldo a narrou com esmerada fidelidade. O próprio protagonista é o escritor, um dos três irmãos. Você pode consultar em:  http://www.iluminalma.com.br/vec/0810/14-menina.html, acessado em 18 de dezembro de 2019, às 00h30min. Ei-la na íntegra, na narrativa do autor e protagonista Herman Rosenblat:
A menina e a maçã
de Herman Rosenblat 
Naquela manhã o céu estava sombrio, enquanto esperávamos ansiosamente. Todos os homens, mulheres e crianças do gueto judeu de Piotrkow na Polônia foram arrebanhados em uma praça.
Espalhou-se a notícia de que estávamos sendo removidos. Meu pai havia falecido recentemente de tifo, que se alastrara através do gueto abarrotado. Meu maior medo era que nossa família fosse separada.
"O que quer que aconteça," Isidore, meu irmão mais velho, murmurou para mim, "não lhes diga a sua idade. Diga que tem dezesseis anos".
Eu era bem alto, para um menino de 11 anos, e assim poderia ser confundido. Desse jeito eu poderia ser considerado valioso como um trabalhador.
Um homem da SS aproximou-se, botas estalando nas pedras grossas do piso. Olhou-me de cima a baixo e perguntou minha idade.
"Dezesseis", eu disse. Ele mandou-me ir à esquerda, onde já estavam meus três irmãos e outros jovens saudáveis.
Minha mãe foi levada para a direita com outras mulheres, crianças, doentes e velhos.
Murmurei para Isidore, "Por quê?"
Ele não respondeu.
Corri para o lado da minha mãe e disse que queria ficar com ela.
"Não," ela disse com firmeza.
"Vá embora. Não me aborreça. Vá com seus irmãos".
Ela nunca havia falado tão asperamente antes. Mas eu entendi: ela estava me protegendo. Ela me amava tanto que, apenas esta única vez, ela fingiu não fazê-lo. Foi a última vez que a vi.
Meus irmãos e eu fomos transportados em um vagão de gado até a Alemanha.
Chegamos ao campo de concentração de Buchenwald numa noite, semanas após, e fomos conduzidos a uma barraca lotada. No dia seguinte recebemos uniformes e números de identificação.
"Não me chamem mais de Herman", eu disse aos meus irmãos. "Chamem-me 94938".
Colocaram-me para trabalhar no crematório do campo, carregando os mortos em um elevador manual.
Eu também me sentia como morto. Insensibilizado, eu me tornara um número.
Logo meus irmãos e eu fomos mandados para Schlieben, um dos sub-campos de Buchenwald, perto de Berlim.
Numa manhã eu pensei que ouvi a voz de minha mãe.
"Filho" ela disse suave, mas claramente, "Vou mandar-lhe um anjo".
Então eu acordei. Apenas um sonho! Um lindo sonho!
Mas nesse lugar não poderia haver anjos. Havia apenas trabalho. E fome. E medo.
Poucos dias depois, estava caminhando pelo campo, pelas barracas, perto da cerca de arame farpado, onde os guardas não podiam enxergar facilmente. Estava sozinho.
Do outro lado da cerca, eu observei alguém: uma pequena menina com suaves, quase luminosos cachinhos. Ela estava meio escondida atrás de uma bétula.
Dei uma olhada em volta, para certificar-me de que ninguém me viu. Chamei-a suavemente em Alemão. "Você tem algo para comer?"
Ela não entendeu.
Aproximei-me mais da cerca e repeti a pergunta em Polonês. Ela se aproximou. Eu estava magro e raquítico, com farrapos envolvendo meus pés, mas a menina parecia não ter medo. Em seus olhos eu vi vida.
Ela sacou uma maçã do seu casaco de lã e a jogou sobre a cerca.
Agarrei a fruta e, assim que comecei a fugir, ouvi-a dizer debilmente, ""Virei vê-lo amanhã".
Voltei para o mesmo local, na cerca, na mesma hora, todos os dias. Ela estava sempre lá, com algo para eu comer - um naco de pão ou, melhor ainda, uma maçã.
Nós não ousávamos falar ou demorarmos. Sermos pegos significaria morte para nós dois.
Não sabia nada sobre ela, que parecia uma menina de fazenda, exceto pelo fato dela entender Polonês. Qual era o seu nome? Por que ela estava arriscando sua vida por mim?"
A esperança estava naquele pequeno suprimento, e essa menina do outro lado da cerca trouxe-me um pouco, como que nutrindo dessa forma, tal como o pão e as maçãs.
Cerca de sete meses após, meus irmãos e eu fomos abarrotados num vagão de carvão e enviados para o campo de Theresiensatdt, na Tchecoeslováquia.
"Não volte", eu disse para a menina naquele dia. "Estamos partindo".
Voltei-me em direção às barracas e não olhei para trás, nem mesmo disse adeus para a pequena menina, cujo nome eu nunca soube, a menina das maçãs.
Permanecemos em Theresienstadt por três meses. A guerra estava diminuindo e as forças aliadas se aproximando, muito embora meu destino parecesse estar selado.
No dia 10 de maio de 1945 eu estava destinado a morrer na câmara de gás, às 10:00 horas.
No silencioso crepúsculo, tentei me preparar. Tantas vezes a morte parecera pronta para me receber, mas de alguma forma eu havia sobrevivido. Agora, tudo estava acabado.
Pensei nos meus pais. Ao menos, pensei, nós estaremos nos reunindo.
Mas, às 08:00 horas ocorreu uma comoção. Ouvi gritos, e vi pessoas correndo em todas as direções através do campo. Juntei-me aos meus irmãos.
Tropas russas haviam liberado o campo! Os portões foram abertos. Todos estavam correndo, então eu corri também. Surpreendentemente, todos os meus irmãos haviam sobrevivido.
Não tenho certeza como, mas sabia que aquela menina com as maçãs tinha sido a chave da minha sobrevivência.
No local onde o mal parecia triunfante, a bondade de uma pessoa salvara a minha vida, dera-me esperança num lugar onde ela não existia.
Minha mãe havia prometido enviar-me um anjo, e o anjo apareceu.
Eventualmente, encaminhei-me à Inglaterra, onde fui assistido pela Caridade Judaica. Fui colocado numa hospedaria com outros meninos que sobreviveram ao Holocausto e treinado em Eletrônica. Depois fui para os Estados Unidos, para onde meu irmão Sam já havia se mudado. Servi no Exército durante a Guerra da Coreia, e retornei à Nova Iorque, após dois anos.
Por volta de agosto de 1957 abri minha própria loja de consertos eletrônicos. Estava começando a estabelecer-me.
Um dia, meu amigo Sid, da Inglaterra, me telefonou.
"Tenho um encontro. Ela tem uma amiga polonesa. Vamos sair juntos".
Um encontro às cegas? Não, isso não era para mim.
Mas Sid continuou insistindo e, poucos dias após, nos dirigimos ao Bronx para buscar a pessoa do seu encontro e a sua amiga Roma.
Tenho que admitir, para um encontro às cegas, não foi tão ruim. Roma era enfermeira em um hospital do Bronx. Ela era gentil e esperta. Bonita, também, com cabelos castanhos cacheados e olhos verdes amendoados que faiscavam com vida.
Nós quatro nos dirigimos até Coney Island. Roma era uma pessoa com quem era fácil falar e fácil de se estar junto.
Descobri que ela era igualmente cautelosa com encontros às cegas.
Nós dois estávamos apenas fazendo um favor aos nossos amigos. Demos um passeio na beira da praia, gozando da brisa salgada do Atlântico, e depois jantamos perto da margem. Não poderia me lembrar de ter tido momentos melhores.
Voltamos ao carro do Sid, Roma e eu dividimos o assento traseiro.
Como judeus europeus que haviam sobrevivido à guerra, sabíamos que muita coisa fora deixada sem ser dita entre nós. Ela puxou o assunto, "Onde você estava", perguntou delicadamente, "durante a guerra?"
"Nos campos de concentração", eu disse. As terríveis memórias ainda vívidas, a irreparável perda. Tentei esquecer. Mas jamais se pode esquecer.
Ela concordou. "Minha família se escondeu numa fazenda na Alemanha, não longe de Berlim", ela me disse. "Meu pai conhecia um padre, e ele nos deu papéis arianos."
Imaginei como ela devia ter sofrido também, medo, uma constante companhia. Mesmo assim, aqui estávamos, ambos sobreviventes, num mundo novo.
"Havia um campo perto da fazenda", Roma continuou. "Eu via um menino lá e lhe jogava maçãs todos os dias."
Que extraordinária coincidência, que ela tivesse ajudado algum outro menino. "Como ele era?", perguntei.
"Ele era alto, magro e faminto. Devo tê-lo visto a cada dia, durante seis meses."
Meu coração estava aos pulos. Não podia acreditar.
Isso não podia ser.
"Ele lhe disse, um dia, para você não voltar porque ele estava saindo de Schlieben?".
Roma me olhou estupefata. "Sim!".
"Era eu!".
Eu estava para explodir de alegria e susto, inundado com emoções. Não podia acreditar! Meu anjo.
"Não vou deixar você partir", disse a Roma. E, na traseira do carro, nesse encontro às cegas, pedi-a em casamento. Não queria esperar.
"Você está louco!", ela disse. Mas convidou-me para conhecer seus pais no jantar do Shabbat da semana seguinte.
Havia tanto que eu ansiava descobrir sobre Roma, mas as coisas mais importantes eu sempre soube: sua firmeza, sua bondade. Por muitos meses, nas piores circunstâncias, ela veio até a cerca e me trouxe esperança. Não que eu a tivesse encontrado de novo, pois na minha mente eu jamais a havia deixado partir.
Naquele dia ela disse sim. E eu mantive a minha palavra. Após quase 50 anos de casamento, dois filhos e três netos, eu jamais a deixara partir.
Herman Rosenblat de Miami Beach, Florida.
Esta é uma história verdadeira que está sendo transformada num filme, chamado "A flor da cerca" (“Flower of the Fence” em inglês). Veja mais sobre a história e o filme no site www.atlanticoverseaspictures.com [Esta tradução foi recebida de um leitor, depois revisada e corrigida. Autor original desconhecido.]
Divaldo Franco aditou alguns comentários destacando que os amigos de Herman diziam-lhe que os alemães não lhe tinham matado o corpo, mas a alma, tal era a tristeza, que beirava a depressão, consumindo-se nas lembranças daqueles dias amargos e aterradores. Herman, salientou o cativante orador, naquele encontro em que identificou a menina benfeitora, tomou-lhe as mãos, beijou-as em agradecimento pelo gesto de coragem e solidariedade, pelas maçãs que salvaram-lhe a vida.
Segundo Carl Gustav Jung, para entender o outro é necessário passar pela situação que o outro passou. A vida tem um sentido, um sentido psicológico, esse sentido é o amor. Quem não ama não está vivendo, asseverou Divaldo Franco. Na atualidade o homem, cercado de tecnologia, vive em solidão, embora no meio da multidão. Há uma carência de afetividade, de amor ternura. Há premência em voltar à pratica da caridade que deve ser exercida com ternura. A Doutrina Espírita, ressaltou o orador inigualável, veio para trazer esse amor que está desaparecendo. O amor às criaturas deve ser o objetivo. O amor dá alegria. O amor é Deus em nós! A imortalidade dá ao ser humano a certeza do encontro com os amados, da perpetuidade da vida. Urge descobrir o sentido do amor na realização da beneficência, atuando na vida, consoante os postulados da Doutrina Espírita. O amor deve ser perpetuado, dizendo às pessoas que são amadas.
Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke